Escolha por André do Prado para o Senado expõe racha na direita em SP

Por André Martins 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Escolha por André do Prado para o Senado expõe racha na direita em SP

A definição do presidente da Alesp, André do Prado (PL), como nome apoiado pelo PL para disputar o Senado em São Paulo evidenciou uma crise pública entre aliados e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) trocaram acusações nos últimos dias após a escolha de Prado para compor a chapa ligada ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Eduardo será o primeiro suplente de André do Prado.

O embate expôs um conflito entre alas da direita paulista às vésperas da disputa de 2026. Salles criticou o que chamou de aproximação entre bolsonaristas e o “centrão fisiológico”, enquanto Eduardo reagiu acusando o ex-ministro do Meio Ambiente de agir por ressentimento político após não receber apoio do PL para sua pré-candidatura ao Senado.

Durante entrevista ao podcast IronTalks, Salles atacou diretamente Eduardo Bolsonaro ao comentar a atuação do ex-deputado nos Estados Unidos. “Você está fazendo um monte de merda nos Estados Unidos e o pessoal está descontando no seu pai aqui”, afirmou.

Na mesma entrevista, Salles disse que Eduardo faz “bravatas” no exterior e declarou: “A diferença é que eu não sou burro que nem você”.

O deputado do Novo também acusou o grupo político ligado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, de corrupção em gestões do Ministério dos Transportes e no DNIT.

Segundo Salles, “a turma do Valdemar é que roubava no Ministério dos Transportes e no DNIT”. O parlamentar ainda afirmou que Tarcísio “fez a limpa” ao assumir o Ministério da Infraestrutura no governo Bolsonaro.

Salles também insinuou que André do Prado teria sido rejeitado para ocupar uma eventual vaga de vice-governador na chapa de Tarcísio por risco político.

Segundo ele, o governador teria evitado a composição “para não contaminar o governo” com supostos esquemas de corrupção. O deputado ainda citou rumores sobre um possível acordo financeiro para viabilizar o apoio de Eduardo Bolsonaro à candidatura de Prado.

"Lá na Câmara, já estão dizendo: 'pagou não sei quantos milhões'." Espero que seja mentira. Se der um telefonema para quatro deputados federais, os quatro vão falar a mesma coisa: “recebeu dinheiro”. Um fala R$ 20 milhões, outro fala R$ 60 milhões", disse Salles no podcast.

Eduardo Bolsonaro reagiu em uma transmissão ao vivo realizada nesta segunda-feira (11). O ex-deputado afirmou que Salles “partiu para a calúnia” ao sugerir um acordo financeiro envolvendo seu apoio a André do Prado. Eduardo disse que não pretende processar o parlamentar, mas cobrou provas das acusações.

"Você está virando meme nas páginas, Salles, por causa dessa sua conduta de ser biruta de vento político. Você é quem está se desgastando, não sou eu, não", afirmou Eduardo.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também acusou Salles de não atuar em grupo e disse que o deputado tenta “descontar a raivinha porque não foi escolhido” pelo PL para disputar o Senado. Eduardo afirmou ainda que o ex-ministro “não joga para o grupo”.

"Salles não é incontrolável, não. O Salles não joga para o grupo; esse é o problema dele. É por isso que ele está fazendo esse estardalhaço todo", disse.

A troca de ataques ganhou apoio de outros integrantes do PL. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) chamou Salles de “mordomo de Geraldo Alckmin”, enquanto o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também era cotado para disputar o Senado, afirmou que Eduardo “abriu mão do cargo de deputado e de uma vaga praticamente certa ao Senado para tentar nos dar meios de ação contra a tirania”.

Em resposta, Salles disse que não perderia tempo “respondendo à trupe de puxa-sacos do Eduardo” e pediu que o PL substitua André do Prado pelo vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL). Segundo o deputado, ele desistiria da candidatura ao Senado caso o militar fosse o escolhido.

O imbróglio é mais um na definição da chapa do governador Tarcísio de Freitas. Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública, foi anunciado como outro nome na chapa, mas enfrenta resistência dentro da gestão Tarcísio e de parte do bolsonarismo.

Pesquisa mostra cenário embolado para disputa ao Senado

O embate ocorre em meio às articulações para a corrida ao Senado em São Paulo, considerada uma das mais estratégicas da eleição de 2026.

Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, realizado entre 11 e 14 de abril, mostra a ex-ministra Marina Silva (Rede) liderando a disputa com 37,8% das intenções de voto no cenário estimulado.

Na sequência aparecem a ex-ministra Simone Tebet (PSB), com 32,9%, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), com 27,4%. Ricardo Salles soma 19,2%, enquanto André do Prado aparece com 9,8%.

Apesar do desempenho menor nas intenções de voto, André do Prado tem a menor rejeição entre os nomes testados pelo instituto, com 11,4%. Já Marina Silva lidera a rejeição, com 28,2%.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: