Escritórios de alto padrão em São Paulo têm menor vacância em 14 anos

Por Letícia Furlan 10 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Escritórios de alto padrão em São Paulo têm menor vacância em 14 anos

A combinação de menos espaços disponíveis e maior demanda voltou a pressionar os preços dos escritórios de alto padrão em São Paulo no início de 2026. A taxa de vacância caiu para 14,7% no primeiro trimestre, o menor nível desde 2012, enquanto o valor médio pedido subiu para R$ 121 por metro quadrado ao mês.

A queda de 4,7 pontos percentuais na vacância em um ano marca uma virada consistente no mercado corporativo, segundo dados da consultoria Newmark. Em relação ao trimestre anterior, a redução foi de 1,2 ponto percentual.

Ao mesmo tempo, os preços acompanharam o movimento. O aluguel médio avançou 9% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo não só a menor disponibilidade, mas também a preferência por ativos mais modernos e bem localizados.

A absorção líquida — indicador que mede a ocupação efetiva dos espaços — somou 94 mil metros quadrados no trimestre, enquanto a absorção bruta chegou a 154,8 mil metros quadrados. O estoque total de escritórios de alto padrão (classes AAA, AA e A) na capital paulista é de 5,79 milhões de metros quadrados.

A retomada não ocorre de forma homogênea. Regiões tradicionalmente mais valorizadas continuam liderando a ocupação.

Pinheiros registrou a maior absorção líquida no período, com 18 mil metros quadrados, seguido por JK (16,4 mil) e Chucri Zaidan (16 mil). São regiões que concentram empresas de tecnologia e do setor financeiro — hoje os principais motores da demanda.

Nos preços, o topo do mercado segue concentrado no eixo Faria Lima–Itaim–JK. A Faria Lima lidera com valores médios de R$ 311,97 por metro quadrado, seguida por JK (R$ 300) e Itaim (R$ 276,3).

A busca por edifícios mais eficientes e bem localizados continua sustentando a valorização dos ativos prime, mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

Oferta cresce, mas risco segue controlado

Do lado da oferta, há um volume relevante de novos projetos no pipeline. Estão previstos cerca de 356 mil metros quadrados de novas entregas ao longo de 2026 — o equivalente a um aumento de 6,7% no estoque atual.

Apesar disso, o risco de desequilíbrio no curto prazo é considerado baixo. A leitura é que a demanda por imóveis de alta qualidade deve continuar absorvendo boa parte desse novo estoque, especialmente em regiões consolidadas.

O cenário, no entanto, não está livre de riscos. O ambiente global segue pressionado por conflitos geopolíticos, como as guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, além da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

No Brasil, a expectativa é de crescimento mais moderado. O PIB deve avançar cerca de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,3% registrados em 2025, com inflação próxima de 4% e taxa Selic ao redor de 12% no fim do ano.

Além disso, o ciclo eleitoral tende a aumentar a volatilidade e pode afetar decisões de investimento ao longo do segundo semestre.

A tendência é de continuidade da recuperação, mas em ritmo mais moderado nos próximos meses.

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