Essa empresa fatura R$ 110 milhões com pão congelado — e está expandindo para vender mais
Farinha, água, fermento e sal: com apenas esses quatro ingredientes é feito o produto que representa quase todo o faturamento de R$ 110 milhões alcançado pela Panfácil no ano passado. Com sede em Canoas, na região metropolitana do Rio Grande do Sul, a fabricante de pães congelados está colocando em prática um plano para acelerar sua expansão.
Para este ano, a projeção é crescer ao menos 25%, alcançando entre R$ 130 milhões e R$ 135 milhões em receita. O pão francês - chamado pelos gaúchos de "cacetinho" - é o carro chefe da empresa. O produto representou 80% do faturamento da Panfácil em 2025.
Agora, a empresa está investindo R$ 44 milhões para ampliar sua fábrica. Com isso, a capacidade de produção irá mais do que dobrar, em um momento em que seus clientes, supermercados e atacarejos, ampliam a adoção de produtos de panificação prontos para assar.
O investimento inclui a ampliação do prédio industrial, reforço da estrutura frigorífica e a instalação de uma nova linha dedicada ao pão francês. Parte da tecnologia utilizada na nova estrutura vem de fornecedores do Canadá, da França e da Holanda.
“Estamos ampliando a fábrica e instalando uma linha mais eficiente, o que deve aumentar nossa capacidade de produção em cerca de 150%”, afirma Bernardo Pretto, diretor comercial da Panfácil.
A expansão também deve impactar o quadro de funcionários. Hoje, a operação de pães congelados emprega cerca de 200 pessoas e a expectativa é chegar a aproximadamente 240 funcionários nos próximos meses, incluindo equipes de produção, logística e suporte técnico.
Como a Panfácil cresceu
A aposta da Panfácil ocorre em um mercado que vem ganhando espaço no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o segmento de pães congelados atingiu um volume de produção de cerca de 470 mil toneladas em 2024, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior.
Os produtos congelados já representam aproximadamente um quarto do volume total do mercado de pão francês no país. A maior parte desse consumo ocorre no varejo alimentar, especialmente em supermercados, que passaram a adotar o modelo de padarias internas.
Nesse sistema, os estabelecimentos recebem a massa congelada e realizam apenas as etapas finais, de fermentação e assamento, garantindo pão fresco ao longo do dia e maior padronização na produção.
“Esse modelo dá agilidade para o varejo e reduz a necessidade de mão de obra altamente especializada dentro das padarias”, diz Pretto.
Como é a estrutura da Panfácil
A Panfácil integra o Grupo Estrela, um conglomerado familiar com quase seis décadas de história. O grupo também reúne o Moinho Estrela e a Mesasul, empresa voltada à montagem de cestas básicas.
Fundado em 1967 por Angelo Domingo Pretto, avô do atual diretor, o negócio começou na moagem de trigo e no comércio de produtos ligados ao agronegócio.
A entrada no segmento de panificação congelada aconteceu apenas no fim dos anos 1990, quando a empresa decidiu apostar em um modelo que ainda era pouco explorado no Brasil.
“Naquela época entendíamos que o futuro da panificação passaria por simplificar processos dentro das padarias. A ideia era reduzir etapas e levar mais conveniência para os clientes”, diz Pretto.
Bernardo Pretto, diretor comercial da Panfácil: empresa de pães congelados faturou R$ 11 milhões em 2025. (Panfácil/Divulgação)
A produção de pão congelado começou em 1999 e colocou a companhia entre as pioneiras desse segmento no país.
Um dos diferenciais da operação está justamente na integração entre as empresas do grupo. A farinha utilizada na produção dos pães é fabricada pelo próprio Moinho Estrela e transportada diretamente para a fábrica por meio de tubulações automatizadas.
Esse modelo, segundo a empresa, garante maior controle de qualidade e eficiência no processo produtivo.
Onde a Panfácil vende
O modelo de negócios da Panfácil é predominantemente B2B, ou seja: de empresa para empresa. A indústria de pães vende a massa congelada para redes varejistas que finalizam o produto no próprio ponto de venda.
Na prática, o consumidor compra o pão fresco na padaria do supermercado sem saber qual indústria produziu a massa. Hoje, entre os principais clientes da Panfácil, estão redes como Bistek, Koch e o grupo UnidaSul, dono das bandeiras Rissul e Macromix.
Além do varejo tradicional, a empresa também busca ampliar sua presença no chamado food service, que inclui cafeterias, padarias independentes, hotéis e lojas de conveniência.
“Nosso objetivo é oferecer uma solução completa para quem trabalha com panificação. O varejo quer variedade, padronização e agilidade na produção”, diz Pretto.
Superação após enchente
Os planos de expansão da empresa haviam sido desenhados anos atrás, mas acabaram adiados por fatores externos, como a pandemia e as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Naquele episódio, a unidade do moinho em Canoas chegou a registrar mais de dois metros de água, interrompendo as operações por quase dois meses. A fábrica de pães, localizada ao lado, não foi inundada, mas teve parte da infraestrutura comprometida.
“A enchente impactou muito nossa operação. Ficamos praticamente dois meses sem produzir, o que afetou bastante os volumes de venda”, afirma Pretto.
Apesar das dificuldades, o grupo conseguiu retomar as atividades e manter os clientes. Em 2025, o Grupo Estrela registrou faturamento de R$ 630 milhões. Para este ano, a projeção é que a receita total das três empresas se aproxime de R$ 700 milhões.
Diversificação do portfólio
Além do tradicional pão francês, a Panfácil vem ampliando seu portfólio. Atualmente, a empresa produz mais de 70 itens diferentes de panificação e confeitaria, entre eles: croissants, folhados, pães especiais, massas doces e pão de queijo.
Uma das novidades é parceria com a espanhola Europastry, uma das maiores fabricantes globais de panificação congelada. O acordo prevê a distribuição exclusiva de alguns produtos da marca no Sul do Brasil, incluindo donuts, croissants, muffins e folhados.
Segundo Pretto, a estratégia busca complementar o portfólio e aumentar a presença da empresa nas redes varejistas.
“O objetivo é oferecer cada vez mais variedade para os clientes e fortalecer nossa presença no varejo e no food service”, afirma.
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