MorumbiShopping cresce 13 mil metros quadrados com investimento de R$ 400 mi

Por Letícia Furlan 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
MorumbiShopping cresce 13 mil metros quadrados com investimento de R$ 400 mi

O MorumbiShopping, um dos principais ativos da Multiplan, registrou R$ 5,05 bilhões em vendas em 2025, em um ano em que as vendas nos demais shoppings da companhia — ao todo 20 — chegaram a R$ 25,9 bilhões.

O desempenho reforça a decisão da empresa de expandir o ativo, em vez de investir em novos empreendimentos. Com demanda aquecida e ativos maduros, a estratégia tem sido aumentar a produtividade por metro quadrado.

Nesta terça-feira, 18, foi inaugurada mais uma ampliação do shopping. Na ocasião, o CFO da Multiplan, Armando d'Almeida Neto, falou à EXAME sobre como os ativos da companhia se tornaram mais do que um ambiente de compras, destacando experiências que o consumidor não encontra ao adquirir um produto on-line, como assistir a um filme no cinema ou desfrutar de uma refeição em um restaurante ou na praça de alimentação.

"Apesar da disrupção causada pelo fechamento dos shoppings em 2020, o ativo demonstrou força ao recuperar rapidamente o tráfego de pessoas, vendas e receitas, algo que talvez um site de comércio eletrônico não conseguiria fazer com a mesma eficiência", opina.

A obra acompanha o desenvolvimento imobiliário do entorno. Localizado na região da Chucri Zaidan, o shopping está inserido em um dos principais vetores de crescimento de São Paulo, marcado pela expansão recente de empreendimentos residenciais e corporativos que ampliam continuamente sua base de consumidores.

"São novas experiências que o consumidor tem aqui, para novos consumidores que chegam nessa região, seja residencial, sejam escritórios, que crescem no entorno do shopping", explica.

O executivo resgata que, nos anos 1970, a área era composta majoritariamente por fábricas e terrenos vazios, evidenciando a transformação urbana ao longo das décadas e a aposta antecipada da companhia na localização.

Nesse contexto, o ativo é apresentado como um caso emblemático da máxima do setor imobiliário — “localização, localização, localização” — ao se consolidar como um endereço comparável aos principais polos comerciais de outras capitais.

Não à toa, em 2025, o Shopping Morumbi registrou o maior valor de aluguel por metro quadrado de toda a rede da Multiplan.

A expansão

A expansão no Morumbi adicionou mais de 13 mil metros quadrados de área construída, elevando a ABL de cerca de 54,7 mil para 63,3 mil metros quadrados. O número de lojas passou de aproximadamente 506 para 546.

A obra foi conduzida sem interromper as atividades. O shopping seguiu operando normalmente durante todo o período, em um modelo faseado, com intervenções concentradas em áreas anexas e novos pavimentos.

A operação contínua foi parte da estratégia para preservar receita e fluxo durante o ciclo de obras.

Houve apenas fechamentos pontuais para ajustes no mix. Intervenções internas, como troca de pisos e mobiliário, ocorreram fora do horário comercial.

A escolha não é trivial. Trata-se do ativo com maior venda por metro quadrado da Multiplan — o que amplia o potencial de retorno, mas também aumenta a pressão por execução. A lógica é extrair mais valor de um ativo já maduro, sem depender de novas localizações.

Na prática, a expansão se ancora em três vetores: qualificação do mix, aumento do tempo de permanência e diversificação de receitas.

Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla do setor. Em 2025, shoppings lideraram a performance entre fundos imobiliários, com alta de 29,1%. Ainda assim, segundo o BTG, esses ativos seguem negociando com desconto, a 0,88 vez o valor patrimonial.

No operacional, os dados mais recentes mostram crescimento de vendas de 7,2% e vacância em 5,2%, indicando um cenário sólido.

Um possível impulso adicional pode vir da renda. A proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil tende a beneficiar diretamente as classes B e C — público relevante para o consumo em shoppings.

Lojas inéditas no Brasil

O eixo central da expansão foi a renovação do mix. Ao todo, foram incorporadas cerca de 40 novas operações, incluindo marcas inéditas no país, como a primeira loja física da Bath & Body Works e da Bershka.

Mais do que ampliar a área, a estratégia busca reposicionar o shopping.

Outro pilar foi a gastronomia. O empreendimento ganhou um rooftop com oito restaurantes, voltado ao público corporativo da região e à demanda por experiências ao ar livre — um movimento que reforça a transformação dos shoppings em centros de convivência.

A modernização incluiu ainda investimentos em experiência, com obras de arte e tecnologia, como a instalação interativa “Traverse II” e um painel de LED de 16 metros.

O redesenho do ativo segue uma direção clara: menos dependência de varejo tradicional e mais foco em experiência, permanência e serviços.

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