‘Esse é o maior investimento da nossa história’, diz presidente da WEG sobre novas fábricas

Por Layane Serrano 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Esse é o maior investimento da nossa história’, diz presidente da WEG sobre novas fábricas

O ano de 2026 promete ser especial para a WEG. A fabricante brasileira de equipamentos elétricos e motores, além de completar 65 anos neste ciclo, vai tirar do papel o plano bilionário de investimentos industriais, incluindo novas fábricas e expansões produtivas no Brasil e no exterior.

“Anunciamos recentemente o maior investimento da nossa história em um único local: R$ 1,1 bilhão em Guaramirim, Santa Catarina”, diz Alberto Kuba, presidente da WEG, em entrevista exclusiva ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.

Segundo o presidente, a nova fábrica será dedicada à produção de máquinas elétricas de grande porte, um segmento altamente especializado, dominado por poucas empresas no mundo.

“Não tínhamos capacidade e nem espaço no mundo para produzir essas máquinas maiores. Por isso decidimos construir uma nova planta dedicada a esse portfólio”, afirma o CEO.

A área adquirida para o projeto tem cerca de 730 mil metros quadrados e foi pensada para sustentar futuras expansões da empresa ao longo dos próximos anos. Quando estiver totalmente operacional, a nova planta deve gerar cerca de 1.000 empregos.

Além da unidade em Guaramirim, faz parte do plano bilionário para o estado a construção de uma nova fábrica em Itajaí, que contará com investimento de R$ 280 milhões e será voltada à produção de sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems), utilizados para armazenamento de energia.

“Esse projeto está alinhado com as novas demandas do setor elétrico e com o avanço das energias renováveis no Brasil e no mundo”, diz o presidente, que reforça que essa unidade pode gerar cerca de 100 novos empregos.

A empresa brasileira que quer mover o mundo

Embora a WEG tenha presença industrial em diversos países, a decisão de instalar as novas fábricas em Santa Catarina também carrega um componente estratégico ligado ao desenvolvimento tecnológico nacional.

“Temos a missão de desenvolver tecnologia no Brasil e competir com grandes empresas globais”, afirma Kuba. “É também uma responsabilidade com o país.”

Veja também: Nestlé inaugura fábrica de R$ 2,5 bilhões em Santa Catarina

Expansão global segue no radar

Os investimentos no Brasil fazem parte de um movimento maior de expansão industrial da companhia. Segundo Kuba, a empresa também está construindo ou ampliando fábricas em diferentes regiões do mundo, incluindo:

“Estamos fazendo uma fábrica de transformadores na Colômbia e uma mega fábrica no México que está em andamento,” afirma.

O foco de 2026, segundo o presidente, será colocar essas novas estruturas em operação e transformá-las em geração de receita.

“Temos muitas operações sendo construídas agora. Nosso principal desafio neste ano é entregar esses projetos e começar a capturar retorno sobre os investimentos”, afirma.

Crescimento sustentado por presença global

Investir em internacionalização é uma aposta recente para uma empresa com mais de 6 décadas como a WEG. Até 2000, a companhia não tinha fábrica fora do Brasil. Hoje, a WEG já está presente em 18 países e conta com 49 fábricas fora do país de origem.

“Em 2001 nós fizemos o primeiro bilhão de reais e em 2025 fizemos mais de R$ 40 bilhões de reais. Ou seja, neste período crescemos 40 vezes mais ao apostar no exterior”, diz Kuba.

A estratégia de construir fábricas fora do Brasil tem relação com a necessidade de mitigar riscos logísticos e macroeconômicos, diz o presidente, como o tarifaço do Trump sobre o Brasil e a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a companhia mantém 9 fábricas, permitindo equilibrar produção entre América do Norte e Brasil.

“Hoje temos fábricas em vários mercados importantes. A internacionalização da WEG sempre teve como objetivo mitigar riscos e aproximar a produção dos mercados consumidores”, afirma Kuba.

Transição energética no centro da estratégia

A expansão industrial da WEG, seja dentro ou fora do país, está diretamente conectada à transformação do setor energético global. Para Kuba, além das pessoas, a transição energética se tornou o principal motor de crescimento da empresa.

“Colocamos a transição energética no centro da nossa estratégia”, diz.

Para atender a essa demanda, a empresa estruturou sua atuação em quatro grandes frentes:

“A melhor transição energética é não consumir energia desnecessariamente. Se você usa menos energia, precisa gerar menos energia”, afirma Kuba.

Maior fabricante de motores do mundo

Os novos investimentos acontecem em um momento simbólico para a companhia. Em 2025, a WEG chegou a um faturamento de R$ 40,8 bilhões e, segundo o CEO, atingiu a posição de maior fabricante de motores elétricos do mundo.

“Para uma empresa que nasceu no interior de Santa Catarina, se tornar líder global em motores industriais é algo extraordinário”, diz Kuba.

Neste novo ano, Kuba (que entrou como estagiário e desde 2024 é presidente da empresa), segue otimista com os resultados que as novas fábricas poderão trazer à WEG. No entanto, para ele, o futuro da empresa ainda reserva novos ciclos de crescimento.

“Quando olho para trás, vejo muita história para comemorar. Mas quando olho para frente, vejo muitos sonhos ainda para realizar”, afirma o CEO. “Como já diziam os fundadores, vamos seguir sonhando grande, mas com os pés no chão.”

Veja a entrevista completa de Alberto Kuba, presidente da WEG, ao podcast "De frente com CEO", da EXAME:

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