Esta marca de suplemento faturou R$ 300 milhões fugindo dos atletas de elite
A Dark Lab nasceu em 2019 com uma tese simples: oferecer o melhor custo-benefício entre suplementos de academia. Com foco no consumidor que treina, mas não atletas de alta performance, a marca cresceu ao longo dos anos — alcançando um faturamento de R$ 300 milhões em 2025, um avanço de 88% em relação ao ano anterior.
O número acompanha a expansão do mercado de suplementos no Brasil. Em 2025, o consumo de whey cresceu 124% no varejo, e a creatina, 89%, segundo dados da Scanntech, em parceria com a McKinsey.
Em 2026, a empresa planeja alcançar R$ 500 milhões em faturamento com foco na criação de comunidade e aumento do portfólio.
“Queremos consolidar a marca. Já temos uma presença muito forte nos canais de distribuição, então o próximo passo é intensificar o trabalho de marketing e fortalecer a conexão direta com o consumidor”, diz Michel Rodrigues, sócio-diretor da Dark Lab.
Origem no e-commerce
A ideia para a Dark Lab nasceu dentro de uma distribuidora de multimarca que atuava em marketplaces. Com essa experiência, identificaram uma lacuna de mercado: oferecer suplementos fitness de qualidade por um preço acessível. Fundaram então a Dark Lab em 2019.
Como já tinham experiência no e-commerce, mantiveram esse foco e lançaram, inicialmente, três itens principais: whey, creatina e BCAA (suplemento alimentar composto por três aminoácidos essenciais).
A estratégia inicial se deu por meio dos microinfluenciadores.
“Em vez de apostar em atletas de elite, escolhemos criadores ligados ao lifestyle fitness, muitos com histórias de superação, emagrecimento ou ganho de massa. Eram pessoas nas quais o público conseguia se enxergar”, diz Thiago Kitzinger, head comercial e de marketing.
A estratégia de divulgação, somada à experiência dos sócios e ao custo-benefício dos produtos, impulsionou a expansão nos primeiros anos da empresa.
Mas um dos pontos de virada da marca veio em 2022, quando a creatina da Dark Lab alcançou o primeiro lugar em um índice de pureza realizado pela Anvisa. “A partir daí, a marca ganhou visibilidade e acelerou sua presença em todos os canais”, afirma Kitzinger.
Expansão de portfólio
A empresa, que cresceu com creatina e proteínas, agora aposta no setor de bem-estar, com lançamento de ômega 3 e magnésio. Os suplementos são vendidos e posicionados comercialmente com foco no público-alvo da marca: atletas e pessoas que praticam atividade física.
“O magnésio, por exemplo, não é apresentado apenas como um produto para dormir melhor, mas como parte de um processo de recuperação e sono reparador, algo essencial para atletas e para quem busca desempenho. É uma forma de conectar bem-estar e performance dentro da estratégia de marketing”, diz Kitzinger.
Os sabores de whey também cresceram com a aposta atual da empresa — a ideia é que o consumidor sempre tenha algo novo para experimentar e não canse dos produtos oferecidos. No lançamento, estão sabores de cappuccino, banoffee e gelato.
A nova gama de produtos ganha espaço com a fábrica própria, que já passa pela sua segunda ampliação desde a inauguração em 2024. Atualmente, a fábrica tem 3 mil metros quadrados. “Essa transformação é para acompanhar essa demanda acelerada, com a chegada de novos equipamentos e maior automação”, afirma Rodrigues.
Além disso, a empresa inaugurou neste ano um novo centro logístico de 6 mil metros quadrados.
Intensificação da comunidade
De olho no mundo fitness, a empresa traz as roupas de treino como diferencial competitivo para 2026. As peças já eram comercializadas em anos passados, porém como brindes ou complementos para kits.
Em 2025, começaram a investir mais nesses produtos e lançaram uma linha de roupas femininas. Neste ano, veio o lançamento da moda fitness masculina.
“Buscamos criar uma sensação de pertencimento e comunidade com o consumidor. A roupa permite essa conexão no dia a dia, reforçando a identidade de quem usa e fortalecendo a relação com a marca”, diz Rodrigues.
Ainda pensando em fortalecer a comunidade, a empresa espera participar de mais eventos e ações de marketing ao longo de 2026, além de manter sua base de influenciadores, que hoje soma 400. “O consumidor não é apenas um cliente, ele quer pertencer àquilo, quer pertencer à marca”, diz.
Para aumentar o conhecimento entre o público-alvo, a marca espera entrar no varejo de forma estratégica, movimento iniciado em 2025. O foco está em grandes parceiros, como redes de farmácias, redes de suplementos e distribuidores, para evitar conflito entre canais.
Alta do whey muda o jogo do setor
O aumento do consumo de suplementos de proteína veio acompanhado da alta do preço da proteína presente no whey. “Isso exige educar e migrar o consumidor para outras fontes, como blends proteicos ou até proteínas de origem animal, como a carne. Ainda são alternativas pouco exploradas e com baixa penetração no dia a dia do brasileiro”, afirma Kitzinger.
A Dark Lab já planeja um lançamento feito com outra base de proteína — diferente do whey.
Ao mesmo tempo, os empresários acreditam que o desafio da alta do preço do setor pode beneficiar a Dark Lab. “Os consumidores tendem a migrar para opções mais baratas. A creatina é um produto mais acessível e pelo qual nós somos mais reconhecidos”, diz.
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