Este belga está investindo R$ 120 milhões em uma vila de pescadores na Bahia

Por Daniel Giussani 9 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Este belga está investindo R$ 120 milhões em uma vila de pescadores na Bahia

A primeira vez que o belga Antoine Painblanc veio ao Brasil foi quase por acaso.

Um amigo insistiu para que ele conhecesse o país durante uma viagem pela América do Sul. O plano era simples: visitar alguns lugares e voltar para casa. Mas a experiência mudou o rumo da história.

Painblanc voltou para a Bélgica impressionado com a cultura, a natureza e o estilo de vida que encontrou por aqui. Poucos anos depois, decidiu que queria empreender no país.

O destino escolhido foi Subaúma, uma pequena vila de pescadores no município de Entre Rios, no litoral norte da Bahia, a cerca de 99 quilômetros de Salvador. É ali que ele está investindo cerca de 120 milhões de reais para construir o Nanö Beach Hotel Subaúma, um hotel de luxo com inauguração prevista para novembro de 2026.

O projeto nasce depois de quase uma década de relação com a região. Painblanc chegou ao Brasil em 2017 e começou operando um beach club na praia. Com o tempo, percebeu que havia uma lacuna evidente na infraestrutura local: faltava hospedagem de alto padrão para quem queria permanecer mais tempo no destino.

“Depois de conhecer diferentes lugares do litoral norte da Bahia, Subaúma chamou atenção porque ainda é uma vila preservada, com ritmo próprio e uma beleza natural muito forte”, diz Painblanc. A proximidade com Salvador também pesou na decisão, por facilitar o acesso de turistas brasileiros e estrangeiros.

A aposta agora é transformar esse pedaço pouco explorado do litoral baiano em um destino para viajantes de alto padrão que buscam tranquilidade e contato com a natureza.

De barman na Bélgica a investidor no Brasil

A trajetória de Antoine Painblanc no setor de hospitalidade começou cedo, e bem longe das praias da Bahia. Na Bélgica, seu primeiro contato com o setor foi trabalhando atrás do balcão de um bar. Aos 18 anos, começou como barman e garçom, aprendendo na prática a operação do negócio.

Com o tempo, passou de funcionário a sócio do estabelecimento. A experiência abriu caminho para novos projetos: Painblanc acabou abrindo também um restaurante próprio e ampliando sua atuação no setor de alimentação e entretenimento. Paralelamente, fez alguns investimentos no mercado imobiliário europeu.

Foi essa base no setor de bares e restaurantes que moldou sua visão de hospitalidade. Para ele, o diferencial de um negócio está menos no tamanho da operação e mais na experiência oferecida ao cliente.

“Eu comecei trabalhando como barman e garçom e aprendi muito com o dono do bar. Depois virei sócio e abri meu próprio restaurante. Sempre gostei muito desse setor e de criar uma experiência legal para os clientes”, diz.

A mudança para o Brasil veio anos depois, após uma viagem que inicialmente não tinha qualquer relação com negócios. Convidado por um amigo belga que já conhecia o país, Painblanc decidiu visitar o Brasil pela primeira vez. O contato com a cultura, a natureza e o estilo de vida acabou sendo decisivo.

“Foi a primeira vez que viajei para a América do Sul. Fiquei muito impressionado com a cultura, a natureza e a mentalidade das pessoas. Foi uma experiência que mudou minha vida”, afirma.

Depois da viagem, ele passou a voltar com frequência ao país até decidir iniciar um projeto próprio no litoral norte da Bahia em 2017. O primeiro passo foi a abertura de um beach club em Subaúma, iniciativa que, anos depois, daria origem ao projeto do hotel de luxo.

A aposta em um hotel pequeno

O Nanö Beach Hotel Subaúma foi pensado para ser um empreendimento de baixa densidade, estratégia comum em destinos de luxo ligados à natureza.

Serão 30 bangalôs à beira-mar, distribuídos em meio à vegetação. Parte deles terá piscina privativa e outros contam com banheira de hidromassagem. A ideia é priorizar privacidade e serviço personalizado.

O hotel também terá spa, academia, sauna seca e áreas dedicadas a relaxamento e bem-estar. A gastronomia deve ser outro pilar da experiência, com foco em produtos locais e ingredientes frescos da região. “Queremos criar um lugar onde as pessoas possam se desconectar um pouco do mundo”, afirma Painblanc.

O hotel nasce como uma evolução natural do primeiro negócio do investidor na região.

O beach club criado por Painblanc passou a receber eventos e visitantes frequentes na praia de Subaúma. Com o aumento da demanda, surgiu um problema recorrente: muitos clientes queriam se hospedar perto do local, mas quase não havia opções de alto padrão.

Foi esse movimento que levou à decisão de expandir o projeto.

A proposta agora é unir os dois conceitos em um único produto, que ele define como “beach hotel”, um hotel à beira-mar que mantém parte da atmosfera descontraída do beach club, mas com foco em tranquilidade e hospedagem.

“Muita música e festa não é a ideia. O conceito é oferecer um lugar mais calmo, para quem quer descansar”, diz.

O desafio de transformar um destino

Investir em turismo de luxo em uma região ainda pouco estruturada também traz riscos.

Subaúma permanece fora do circuito tradicional de destinos turísticos do Nordeste. Ao mesmo tempo, é justamente esse isolamento que o investidor acredita ser o principal ativo do projeto.

Painblanc aposta que a combinação entre natureza preservada, proximidade com Salvador e um hotel de alto padrão pode ajudar a atrair um novo perfil de visitante.

O público-alvo inclui principalmente casais brasileiros de alta renda, mas também turistas estrangeiros conectados ao mercado europeu. A expectativa é que a diária média fique próxima de 3.000 reais, dependendo da categoria do bangalô.

A obra do hotel começou há cerca de dois anos e está agora na fase final de acabamento. Segundo Painblanc, a prioridade é abrir o empreendimento com todos os detalhes ajustados para garantir a experiência que ele imaginou desde o início.

“Queremos que o hóspede venha, tenha uma experiência marcante e queira voltar”, afirma.

Até a inauguração, prevista para o segundo semestre de 2026, o investidor divide o tempo entre viagens internacionais e o acompanhamento do projeto na Bahia. A ideia é permanecer mais tempo na região quando o hotel estiver pronto e a operação entrar em funcionamento.

Se a aposta funcionar, Subaúma, hoje uma pequena vila de pescadores, pode ganhar um novo papel no mapa do turismo de luxo no Nordeste.

Assista ao Choque de Gestão, reality show de negócios da EXAME

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: