Estudo revela por que controlar emoções é mais difícil do que parece

Por Maria Luiza Pereira 31 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Estudo revela por que controlar emoções é mais difícil do que parece

Sentir ansiedade, tristeza ou raiva diante de situações difíceis é algo automático. O que a ciência começa a entender melhor agora é como essas emoções podem realmente ser transformadas. E a resposta parece menos simples do que frases motivacionais costumam sugerir.

Uma pesquisa recente mostrou que mudar emoções exige um processo mental em duas etapas. Não basta apenas tentar enxergar uma situação de forma diferente. É preciso consolidar essa nova interpretação até que ela substitua, de fato, a percepção negativa inicial.

A diferença entre pensar e acreditar

O estudo foi conduzido por pesquisadores ligados à University of Wake Forest e à University of Denver, com resultados divulgados pela revista científica Cognitive Therapy and Research.

Segundo os pesquisadores, o cérebro primeiro cria uma “reavaliação” da situação. É o momento em que a pessoa tenta reinterpretar um problema de forma menos ameaçadora. Depois disso, vem a etapa mais importante: sustentar mentalmente essa nova visão até que ela se torne convincente. “Essa interpretação alternativa é frágil e precisa competir com a percepção original”, explicaram os autores.

Para testar a hipótese, cientistas mostraram imagens negativas a 89 universitários e pediram que eles criassem uma interpretação mais positiva ou menos angustiante sobre aquelas cenas. Em seguida, os participantes precisavam continuar pensando e elaborando essa nova narrativa.

Os resultados mostraram uma diferença clara. Apenas criar uma nova interpretação produzia melhora emocional limitada. Já os participantes que aprofundavam conscientemente essa nova perspectiva relataram redução muito maior no desconforto emocional.

Por que desistimos cedo demais?

Em um segundo experimento, os pesquisadores descobriram outro detalhe importante: muitas pessoas simplesmente desistem no meio do processo. Após criar uma nova interpretação emocional, os participantes podiam escolher entre continuar desenvolvendo aquele pensamento ou se distrair. Cerca de metade preferiu abandonar o esforço mental antes de obter os benefícios completos da reavaliação emocional.

Os cientistas argumentam que isso ajuda a explicar por que tantas estratégias populares de “pensamento positivo” falham na prática. Ouvir um conselho otimista ou repetir frases motivacionais pode gerar alívio momentâneo, mas isso não significa que o cérebro realmente mudou de perspectiva. “O esforço precisa continuar até que a nova visão se torne dominante”, afirma o estudo.

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