Ether cai forte com vendas de grandes investidores; para onde vai a criptomoeda?
O desempenho negativo do ether preocupa investidores, em especial porque vem em um momento no qual grandes detentores da criptomoeda despejam vastas quantidades dela no mercado.
Na véspera, a Ethereum Foundation desbloqueou 21.271 unidades de ether (US$ 49,7 milhões) que estavam no processo de validação de transações conhecido como “staking”. Enquanto isso, no domingo, um grande investidor sacou 225,7 mil ETH para a corretora de criptomoedas Binance. Em quatro dias, esse player depositou 577,9 mil ether na exchange, o que equivale a US$ 1,35 bilhão.
Segundo Vinicius Bazan, CEO da casa de análise Underblock, o ether não acompanhou a alta recente do bitcoin, que chegou a encostar nos US$ 83 mil, e tem demonstrado uma performance muito fraca quando comparado a outras moedas digitais. “Temos visto muitos grandes investidores vendendo Ethereum, inclusive institucionais”, aponta.
Nos últimos pregões da bolsa de valores Nasdaq, os fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de ether à vista registraram saídas de capital ou entradas muito tímidas. Apenas no dia 1º de maio houve um saldo líquido positivo na casa de centenas de milhões de dólares (US$ 101,2 milhões) para os ETFs de ETH, ao mesmo tempo em que as retiradas chegaram a US$ 103,6 milhões poucos dias depois, no dia 7.
Os ETFs de bitcoin, por outro lado, tiveram US$ 629,8 milhões em entrada de capital no 1º de maio, US$ 532,3 milhões no pregão seguinte e US$ 467,3 milhões no outro, para depois terem saída de recursos de US$ 268,5 milhões no dia 7 e US$ 145,7 milhões no dia 8.
Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, destaca ainda que o o Fidelity Ethereum Fund acumula queda de cerca de 22% no ano, enquanto o fundo de bitcoin da mesma gestora recua bem menos, cerca de 8% no mesmo período.
Comparação
Enquanto o bitcoin tem uma leve baixa de 0,9% no acumulado dos últimos sete dias, o ether recua 5%, em um desempenho que destoa de outras altcoins.
O principal blockchain concorrente do Ethereum na área de construção de contratos inteligentes é a Solana, que viu seu token SOL se valorizar em 10,8% nesse mesmo horizonte de sete dias.
Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, aponta que o ether segue entre os destaques negativos de altcoins, aprofundando sua fraqueza relativa recente, enquanto a solana, apesar da correção no dia de hoje, mantém forte desempenho semanal.
“A assimetria positiva permanece concentrada em narrativas ligadas a inteligência artificial, infraestrutura blockchain e DeFi, que continuam capturando fluxo mais agressivo”, argumenta.
Outras criptomoedas, como a ZEC, do protocolo de privacidade ZCash, dispararam 30,3% no período.
O que esperar?
De acordo com Bazan, o ether não está mais se comportando como um bitcoin com mais beta, ou seja, mais volatilidade para cima ou para baixo. “A demanda do bitcoin vem da acumulação institucional, que acaba focando nesse ativo. Para o ether subir precisaríamos mais do varejo participando”, avalia.
Bazan acredita que futuras altas ou baixas da criptomoeda do Ethereum dependem do movimento do bitcoin, que chegou a uma região de muita resistência entre US$ 80 mil e US$ 85 mil. “O ether está encaixotado entre US$ 2 mil e US$ 2,3 mil”, ressalta.
Ana de Mattos diz que o ether está corrigindo mais do que outras criptomoedas porque enfrentou uma combinação entre pressão institucional e enfraquecimento de métricas econômicas da própria rede.
“A Solana ganhou tração em usuários, transações e volume de exchanges descentralizadas, o que reforçou a rotação de atenção para redes mais rápidas e com menor atrito operacional”, afirma a analista.
Na opinião dela, o Ethereum continua relevante como infraestrutura de liquidação e base institucional, mas perdeu força no curto prazo como ativo de crescimento e execução.
Ana diz que as regiões de suporte gráfico do ether estão nas faixas dos US$ 2.115 e US$ 1.850. “Caso a força compradora volte a agir, as principais resistências estão em US$ 2.490 e US$ 2.890”, projeta.
Por outro lado, caso o preço permaneça abaixo de US$ 2.380, o ativo seguirá com dificuldade de retomar o movimento de alta.
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