Mais benefícios, menos dinheiro no bolso: 62% usam salário para complementar alimentação

Por Layane Serrano 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mais benefícios, menos dinheiro no bolso: 62% usam salário para complementar alimentação

Mesmo com mais benefícios na carteira, fechar as contas no fim do mês segue sendo um desafio para boa parte dos trabalhadores brasileiros.

Dados do levantamento "Retrato do Trabalhador Formal", realizado pela Pluxee com mais de 1.200 profissionais em fevereiro de 2026, revelam um descompasso crescente entre o que as empresas oferecem e o que, de fato, cobre o custo de vida, especialmente quando o assunto é alimentação.

Hoje, 62% dos trabalhadores precisam usar parte do próprio salário para completar as compras do mês, já que o vale-alimentação não dá conta. No caso do vale-refeição, 44% relatam o mesmo problema.

O cenário ocorre em meio a uma inflação acumulada de 4,14% em 12 meses e reforça um movimento que vem se intensificando nos últimos anos: a perda de poder de compra dos benefícios.

Em 2025, por exemplo, o vale-refeição cobriu, em média, apenas 10 dias úteis do mês, bem abaixo dos 18 dias registrados em 2019.

“O benefício, que deveria garantir segurança, se tornou um complemento, e o trabalhador precisa fazer uma ginástica financeira para fechar as contas”, afirma Antonio Alberto Aguiar (Tombé), diretor executivo de estabelecimentos da Pluxee no Brasil.

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Mais benefícios, menos efetividade

Apesar da pressão no orçamento, o estudo aponta uma evolução clara na estratégia das empresas. Em 2026, os trabalhadores passaram a receber, em média, 4,65 benefícios, acima dos 4,28 registrados no ano anterior.

Além disso, caiu a parcela de profissionais sem acesso a qualquer benefício: de 11% em 2025 para 9% neste ano.

O avanço, no entanto, não tem sido suficiente para compensar a alta do custo de vida.

“Os dados revelam um paradoxo: as empresas evoluíram na concessão de benefícios, mas essa evolução não foi suficiente para anular a pressão da inflação no bolso do trabalhador”, diz Aguiar.

Segundo ele, o foco das empresas precisa mudar.

“Para as empresas, o desafio agora é menos sobre a quantidade de benefícios e mais sobre a qualidade e a real adequação deles ao custo de vida financeiro e ao benefício emocional, um fator que se tornou decisivo para a atração e retenção de talentos.”

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Alimentação segue no centro da disputa por talentos

Entre os diferentes tipos de benefício, alimentação continua sendo o mais relevante para os trabalhadores, e o mais estratégico para as empresas.

De acordo com a pesquisa, 49% dos profissionais preferem o vale-alimentação e 31% o vale-refeição. Do lado das companhias, 61% oferecem vale-alimentação e 44% vale-refeição, consolidando esses itens como pilares do pacote de benefícios.

Mas o impacto vai além do financeiro. Há uma relação direta entre benefícios e engajamento.

Funcionários que recebem uma combinação de benefícios, especialmente alimentação, apresentam um NPS (Net Promoter Score) de +44, enquanto aqueles sem benefícios registram apenas +2.

“Mais do que um apoio financeiro, o vale-refeição é um termômetro do cuidado da empresa com sua gente. Garantir a efetividade desse benefício em um cenário econômico desafiador não é um custo, mas um investimento estratégico no bem-estar, no engajamento e na percepção de valor da equipe”, diz Tombé.

O novo desafio do RH

Em um mercado cada vez mais competitivo, onde o chamado “salário emocional” ganha espaço, a efetividade dos benefícios também aparece como o diferencial entre reter ou perder talentos.

O desafio agora é garantir que todos os benefícios façam sentido na prática, e acompanhem o custo real de vida do trabalhador.

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