EUA investigarão troca de tiros com barco e mortes em Cuba, diz Marco Rubio

Por Mateus Omena 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
EUA investigarão troca de tiros com barco e mortes em Cuba, diz Marco Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que o Departamento de Segurança Interna e a Guarda Costeira vão investigar a morte de quatro pessoas troca de tiros envolvendo uma lancha com placa da Flórida.

O ataque ocorreu nesta quarta-feira, envolvendo agentes das forças de segurança de Cuba, segundo um comunicado emitido pelo Ministério do Interior cubano. O episódio amplia tensão diplomática entre Havana e Washington.

Em coletiva de imprensa, Marco Rubio salientou que novas informações devem ser divulgadas e que a resposta americana dependerá dos resultados da investigação.

O episódio ocorreu no mesmo dia em que Rubio chegou a São Cristóvão e Névis para reuniões com líderes do Caribe. A cúpula da Comunidade do Caribe começou na terça-feira.

O Ministério do Interior cubano informou mais cedo que o barco se aproximou a menos de uma milha náutica da costa da província de Villa Clara. De acordo com o comunicado oficial, quando a patrulha de fronteira tentou identificar os ocupantes, houve disparos contra a embarcação militar, e o comandante ficou ferido. Outras seis pessoas que estavam na lancha também sofreram ferimentos e recebem atendimento médico.

De acordo com fontes do jornal The New York Times, se tratava de uma embarcação civil americana que tentava retirar parentes de Cuba. O barco foi identificado como um modelo de pesca Pro-Line de 24 pés, fabricado em 1981, com motor de popa, segundo dados do Boat History Report, relatório de histórico de embarcações.

Reação da Casa Branca

O vice-presidente J.D. Vance declarou a jornalistas na Casa Branca que as informações disponíveis eram limitadas, mas que “não é tão grave quanto temíamos”.

O congressista da Flórida, Carlos Gimenez, classificou o episódio como um “massacre” e pediu investigação para apurar se havia cidadãos americanos ou “residente legal” entre as vítimas.

Brian Fonseca, diretor do Instituto de Políticas Públicas da Universidade Internacional da Flórida, afirmou que, apesar da falta de detalhes, “isso mostra que Cuba está disposta a usar a força para afirmar o controle, ao mesmo tempo que sinaliza dissuasão”.

Pressão dos EUA sobre Cuba

O incidente ocorre em meio a mudanças na política externa dos Estados Unidos para a América Latina sob o governo de Donald Trump. Desde a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, no início de janeiro, Washington passou a concentrar esforços na ilha governada pelo regime comunista.

Os EUA implementaram um bloqueio naval contra Cuba, o que reduziu o acesso da ilha a combustível. O governo americano também pressionou países que contratam profissionais de saúde cubanos, setor que representa entrada de divisas. O turismo, uma das principais fontes de receita, registrou retração nos últimos anos. Trump mencionou a possibilidade de colapso do regime cubano, que está no poder há seis décadas.

Até terça-feira, o governo americano indicava possível flexibilização ao sinalizar que permitiria a importação de combustível por empresas privadas em Cuba.

“Diante dos desafios atuais, Cuba reafirma seu compromisso com a proteção de suas águas territoriais, com base no princípio de que a defesa nacional é um pilar fundamental do Estado cubano”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da ilha.

O primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, alertou para o risco de crise migratória em razão do agravamento das condições em Cuba e defendeu diálogo entre Washington e Havana.

O confronto também aconteceu um dia após o 30º aniversário de outro incidente envolvendo Cuba e aeronaves baseadas na Flórida. Na ocasião, duas aeronaves desarmadas foram abatidas após Havana alegar violação do espaço aéreo.

A morte dos quatro pilotos do grupo anticastrista Brothers to the Rescue, sediado em Miami, levou o então presidente Bill Clinton a sancionar a Lei de Liberdade e Solidariedade Democrática Cubana, que ampliou o embargo econômico contra a ilha.

Cuba mantém regime de partido único desde a revolução de 1959, liderada por Fidel Castro, que depôs um governo apoiado pelos EUA. Após o colapso da União Soviética, em 1991, o país perdeu seu principal parceiro econômico e, nos anos seguintes, passou a depender de petróleo subsidiado da Venezuela para suprir a demanda energética.

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