Mercado Livre divulga balanço hoje: qualidade de crescimento estará no radar, diz BTG

Por Mitchel Diniz 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mercado Livre divulga balanço hoje: qualidade de crescimento estará no radar, diz BTG

O balanço do Mercado Livre será divulgado nesta terça-feira, 24, após o fechamento do mercado e é a partir dele que o investidor vai poder acompanhar a qualidade do crescimento da companhia. Mais do que confirmar um novo trimestre de forte expansão operacional, o resultado tende a responder a uma pergunta-chave: o Meli já consegue extrair mais lucro da estrutura que construiu ou ainda está priorizando investimento em detrimento de rentabilidade?

Esse é o tom da análise do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) em relatório divulgado hoje. O banco mantém visão estruturalmente construtiva sobre o Meli e espera números operacionais fortes. A expectativa é de que o Mercado Livre registre um GMV (valor total de vendas) consolidado de US$ 19,2 bilhões no trimestre, alta de 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado. No Brasil, o principal mercado da companhia, o volume bruto de mercadorias deve alcançar R$ 53,7 bilhões, crescimento de 31,6%. O banco estima receita de US$ 8,4 bilhões, avanço de quase 39% na base anual.

Ebitda cresce menos, lucro recua

Apesar do desempenho operacional robusto, o BTG projeta crescimento bem mais modesto do lucro operacional. O Ebit ajustado deve chegar a US$ 880 milhões, alta de 7,3%, com margem de 10,5%, inferior à do ano passado. Já o lucro líquido é esperado em US$ 610 milhões, o que representa queda de 4,6% na comparação anual.

Os investimentos do Mercado Livre cresceram 61% no terceiro trimestre do ano passado. O capex é voltado, sobretudo, para entregas mais rápidas, o que tende a ampliar a frequência de compras. Além disso, o Meli também paga um preço por manter subsídios de fretes grátis, inclusive em produtos de menor valor.  mantém subsídios, com destaque para fretes grátis,

Um filme já visto pelo mercado

O banco lembra que esse não é um movimento inédito na história da companhia. Em 2017, o Mercado Livre também investiu pesadamente em logística, ampliou subsídios e viu suas margens encolherem. Naquele momento, o mercado reagiu com ceticismo.

O desfecho, porém, foi favorável: a empresa ganhou escala, reduziu custos unitários, acelerou prazos de entrega e, nos anos seguintes, conseguiu alavancar a operação com expansão estrutural de margens.

Para o BTG, o ciclo atual guarda paralelos claros com aquele período. A diferença é a escala: hoje o Meli é muito maior do que era em 2017. Qualquer compressão de margem agora afeta bilhões de dólares em lucro. O impacto sobre a linha final do balanço é mais visível.

Logística segue no centro da tese

No relatório, o BTG reforça que a logística continua sendo o principal indicador do lucro futuro, apesar de ser um indicador ainda subestimado. O crescimento das entregas no mesmo dia ou no dia seguinte e o aumento da densidade da malha logística sustentam a tese de que, mais à frente, os custos por entrega tendem a cair.

Se isso ocorrer, o mercado pode voltar a precificar recuperação de margens e alavancagem operacional a partir de 2026. Caso contrário, o receio é de que os custos se tornem estruturalmente mais elevados.

Fintech: crescimento com risco no radar

O braço financeiro também estará no centro das atenções. A carteira de crédito do Mercado Livre já soma cerca de US$ 11 bilhões, com crescimento anual de 83%, impulsionada sobretudo pelos cartões de crédito.

O BTG reconhece o potencial do negócio, mas destaca que o avanço acelerado pressiona a rentabilidade no curto prazo. É que  parte relevante da base ainda não atingiu maturidade, os custos de funding são elevados e a margem financeira do terceiro trimestre caiu para cerca de 21%.

Para o banco, o mercado vai observar de perto sinais de disciplina na concessão, comportamento da inadimplência e velocidade de convergência das novas safras de crédito para o ponto de equilíbrio.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: