Novas tarifas de Trump entram em vigor hoje — o que muda para o Brasil?

Por Estela Marconi 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Novas tarifas de Trump entram em vigor hoje — o que muda para o Brasil?

As novas tarifas globais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com alíquota de 10% sobre importações que entram em vigor nesta terça-feira, 24, colocam o Brasil como o país mais beneficiado com a mudança.

Até a decisão da Suprema Corte dos EUA, uma grande parte dos produtos brasileiros era atingida por tarifas adicionais aplicadas com base na IEEPA. Desde julho de 2025, diversos itens do Brasil pagavam sobretaxa de até 40%, além da tarifa geral de 10% aplicada à maioria dos parceiros comerciais.

Com a derrubada dessas sobretaxas, o governo de Donald Trump instituiu um adicional global temporário sobre as importações. A tarifa entrou em vigor em 10%, embora o presidente tenha anunciado no sábado a intenção de elevar o percentual para 15%. Até agora, nenhuma norma oficial confirmou a mudança.

Brasil terá a maior redução na tarifa média

Um estudo da Global Trade Alert aponta que o Brasil será o país mais beneficiado com a mudança no regime tarifário dos Estados Unidos. Em um cenário com tarifa global de 15%, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros cairia 13,6 pontos percentuais. China (-7,1 pontos) e Índia (-5,6 pontos) aparecem na sequência.

Na prática, os produtos brasileiros passam a pagar a tarifa normal de cada item, que já existia antes do tarifaço do ano passado, somada a um imposto extra temporário aplicado a todas as importações. Esse modelo vale por até 150 dias, prazo previsto na legislação usada pelo governo americano após a decisão da Suprema Corte.

Alguns produtos ficam fora do adicional global. É o caso de bens cobertos pelo acordo comercial da América do Norte. Também seguem valendo tarifas específicas aplicadas com base na Seção 232, como no caso de aço e alumínio, que continuam com taxação de 50%.

Indústria brasileira tende a ser a mais beneficiada

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, confirmou que o Brasil foi o país mais beneficiado com a mudança e afirmou que a nova regra amplia a lista de produtos isentos, incluindo itens industriais e tecnológicos.

Segundo ele, os Estados Unidos são o principal destino dos produtos industriais brasileiros, como aviões, máquinas, motores e equipamentos. A redução das tarifas tende a aliviar o custo de entrada desses itens no mercado americano.

Apesar da redução das tarifas, o governo dos Estados Unidos informou que vai manter a investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração foi aberta em julho do ano passado, quando Trump anunciou o tarifaço e a abertura do processo contra o país.

O comunicado do Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirma que, se a investigação apontar práticas consideradas desleais, novas tarifas podem ser impostas.

Melhora externa, efeito gradual

Um relatório da Ativa Investimentos avalia que o Brasil tende a sair beneficiado com o alívio tarifário, mas que os efeitos positivos serão graduais e dependentes de outros fatores.

O documento destaca que a relação entre Brasil e Estados Unidos “está em bom curso”, o que favorece o início das negociações comerciais. Entretanto, analistas da Ativa alertam que, apesar da notícia positiva, as condições comerciais favoráveis “se darão de maneira gradual”.

O relatório afirma que, além das mudanças externas, a política interna brasileira — especialmente em temas fiscais — continua sendo um foco de atenção, sem avanços relevantes recentes.

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