EUA lançam novos ataques contra o Irã, tensionando ainda mais a trégua
As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira, 10, ter lançado ataques contra "múltiplos" alvos no Irã pelo segundo dia consecutivo, após o presidente Donald Trump acusar o país de prolongar as negociações sobre um acordo de paz provisório.
O Comando Central dos EUA informou que iniciou o que chamou de "ataques adicionais de autodefesa" às 17h15, horário de Nova York, na quarta-feira.
Os ataques se sucederam aos de terça-feira, realizados em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache americano, e evidenciam a crescente impaciência de Trump com o fato de os dois lados ainda não terem chegado a um acordo. Também mostram que o cessar-fogo acordado em abril fracassou, mesmo que os EUA e Israel não tenham retomado a intensa campanha de bombardeios que marcou os primeiros dias do conflito.
Há meses, Trump alterna entre ameaças de intensificação dos ataques e declarações de que um acordo de paz está próximo. Nenhum dos cenários se concretizou e o Estreito de Ormuz, uma via navegável crucial para o petróleo e outras commodities, permanece em grande parte fechado, apesar dos esforços americanos para aliviar o controle do Irã.
"Vamos atacá-los, atacá-los com muita força", disse Trump a repórteres na Casa Branca na quarta-feira, antes do anúncio dos últimos ataques.
"Atacamos com força ontem e vamos atacá-los com força novamente hoje." Trump não detalhou quais alvos seriam atingidos. O Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou os EUA de atacar infraestrutura civil.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, em visita ao quartel-general do Comando Central dos EUA na Flórida, afirmou antes do início dos ataques que eles tinham o objetivo de pressionar o Irã a fechar um acordo. "Vamos atacá-los com força esta noite e, com sorte, o Irã tomará uma boa decisão", disse ele a repórteres.
Na quarta-feira, Trump publicou uma mensagem destacando que as forças americanas haviam apoiado a passagem de “mais de 200 navios comerciais” pelo Estreito de Ormuz, resultando na chegada de “mais de 100 milhões de barris de petróleo” ao mercado. Ele acrescentou que os EUA controlam o estreito, “não o Irã”.
Antes do pronunciamento, um funcionário da Casa Branca afirmou que as negociações continuavam, mas que os EUA manteriam pressão máxima até que um acordo fosse alcançado. A agência de notícias semioficial dos estudantes iranianos informou que uma delegação do Catar chegou a Teerã na quarta-feira para tratar do processo diplomático visando o fim da guerra.
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