Ex-executivos da Ambev criaram uma trading que já movimenta R$ 1,2 bilhão — e querem o dobro

Por Bianca Camatta 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ex-executivos da Ambev criaram uma trading que já movimenta R$ 1,2 bilhão — e querem o dobro

A consultoria de comércio exterior Desh Global Trading nasceu em 2021 com uma ambição daquelas para uma empresa recém-criada: começar grande.

Fundada por ex-executivos da gigante global de cervejas AB InBev e profissionais com experiência em comércio exterior, a companhia já estreou com operação internacional, estrutura própria e capital para escalar rapidamente.

Cinco anos depois, a empresa movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão em operações de importação e exportação e projeta dobrar esse volume nos próximos dois anos.

“A empresa nasceu experiente. O CNPJ é novo, mas a estrutura e as pessoas têm mais de 30 anos de estrada”, afirma Alexandre Durce, CEO da companhia.

Para sustentar a próxima fase de crescimento, a Desh trouxe Felipe Videira como sócio e vice-presidente de negócios. A estratégia passa por ampliar a área comercial, entrar em novos segmentos e expandir a atuação internacional da empresa – o que deve dobrar a operação em dois anos.

Uma empresa que nasceu grande

A DESH atua na estruturação de operações de comércio exterior para empresas de médio e grande porte. Na prática, a companhia organiza processos de importação e exportação que envolvem compra internacional, logística, financiamento e operação tributária

Entre os fundadores da empres estão, além de Durce, Paulo Esteves, Cassiano Hissnauer e Fued Sadala. Parte dos sócios veio da AB InBev, multinacional de bebidas, onde atuaram em posições globais de liderança em compras e operações internacionais.

Isso significou iniciar com capital elevado, presença internacional e uma rede já estabelecida. Desde o início, a empresa operou com bases no Brasil e no Uruguai, além de conexões com Estados Unidos e China.

Segundo Durce, o plano desde o começo era estruturar uma companhia preparada para operações complexas.

O crescimento foi acelerado. “O crescimento veio porque a empresa já nasceu preparada para operações maiores, tanto em estrutura quanto em capital e equipe”, afirma Durce. Já no primeiro ano, a Deshfaturou R$ 280 milhões. Em 2024, o número já chegava a R$ 800 milhões.

A DESH começou a operar com filiais em estados como Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, além das operações internacionais. O foco também foi definido cedo: atender empresas de médio e grande porte, com operações mais complexas e exigências maiores de compliance, conjunto de regras e controles internos.

A aposta em expansão comercial

Para sustentar a próxima fase de crescimento, a empresa trouxe Felipe Videira, que possui mais de 25 anos de experiência em comércio exterior, como sócio e vice-presidente de negócios. A decisão tem um objetivo claro: acelerar a frente comercial.

“A empresa está preparada — caixa, sistemas e operação — para dar um salto de crescimento. Para isso, precisamos investir na área comercial”, afirma Durce. “As empresas querem previsibilidade e eficiência, e isso exige um nível de estrutura e experiência multidisciplinar”, diz Videira.

Um dos pilares do crescimento está fora do Brasil. A operação no Uruguai funciona como hub, centro operacional, para atender não só clientes brasileiros, mas também empresas na Europa, nos Estados Unidos e em outros países da América do Sul.

Ao mesmo tempo, a empresa mira setores específicos com maior demanda por estrutura, como energia, infraestrutura e bens de consumo. “Hoje existem segmentos importadores que não existiam há 4 ou 5 anos”, afirma Videira.

A companhia estuda novas frentes, como representação de produtos internacionais em mercados específicos.

Os desafios de um mercado instável

Mudanças cambiais, conflitos geopolíticos e gargalos logísticos fazem parte da rotina das operações internacionais. “Você tem que ter capacidade e agilidade para contornar, buscar novos fornecedores, novas rotas, novas soluções”, afirma Durce.

Além disso, a reforma tributária deve alterar estruturas fiscais e impactar operações de importação e exportação.

Outro desafio está no próprio timing das operações. Uma decisão de compra pode levar até 60 dias para se concretizar, entre produção, transporte e chegada ao destino. “Se você não planejar bem e não mapear os riscos, pode ter surpresas quando a mercadoria chega”, diz Videira.

Crescer sem virar volume

Apesar da meta de dobrar o volume movimentado, a empresa não pretende crescer de forma indiscriminada.

Hoje, a Desh atende cerca de 30 clientes — em sua maioria empresas de médio e grande porte — e quer manter esse perfil. A lógica é priorizar operações mais complexas e com maior valor agregado.

“Não queremos 200 clientes. Queremos manter um atendimento próximo e estruturado”, afirma Durce.

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