Ex-gerente de banco investiu R$ 50 mil da rescisão em franquia e hoje fatura R$ 150 mil por mês

Por Isabela Rovaroto 19 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ex-gerente de banco investiu R$ 50 mil da rescisão em franquia e hoje fatura R$ 150 mil por mês

"Você vai estourar." O alerta vinha da esposa de Luciano Paixão. Depois de 15 anos trabalhando em um grande banco, os últimos deles como gerente de agência, a rotina era marcada por metas, cobranças e pressão constante.

A carreira era sólida, os benefícios eram bons e o salário competitivo. Mas faltava algo. "Eu sentia falta de construir alguma coisa minha", afirma.

A ideia de empreender aparecia de tempos em tempos, mas nunca saía do papel. Até que ele decidiu deixar o banco. O problema é que, quando saiu, não tinha a menor ideia do que faria a seguir.

Foi durante conversas com consultores e contatos do mercado que ouviu falar dos mercados autônomos instalados dentro de condomínios e empresas. O modelo ainda era pouco conhecido no Brasil e parecia distante da sua realidade.

"Eu não entendia nada. Não sabia de abastecimento, não sabia o que vender, não conhecia o varejo", conta.

Antes de tomar uma decisão, pesquisou diversas opções de franquias. Chegou a analisar três redes diferentes, mas optou pela market4u, atraído pelo suporte oferecido aos franqueados sem experiência prévia em empreendedorismo.

Em 2023, investiu cerca de R$ 50 mil, valor vindo da rescisão trabalhista, para adquirir a franquia. Quarenta dias depois, inaugurava sua primeira operação.

O crescimento das franquias

As primeiras unidades foram abertas em condomínios residenciais na zona sul de São Paulo. Com o passar do tempo, Luciano percebeu que a logística teria papel decisivo na rentabilidade do negócio.

Após cerca de um ano, ele repassou algumas lojas para outros franqueados e concentrou o crescimento na zona oeste da capital, onde vive. Também passou a apostar em condomínios corporativos, um segmento que hoje representa parte relevante da sua operação.

O crescimento veio rápido. Em alguns momentos, chegou a abrir uma nova unidade a cada três meses. No auge, administrou seis lojas simultaneamente. Atualmente, opera cinco unidades — três em condomínios residenciais e duas em empreendimentos corporativos. Juntas, elas faturam cerca de R$ 150 mil por mês.

O empresário faz uma ressalva. "Muita gente acha que ter mais lojas significa faturar mais. Nem sempre. Existe uma diferença entre quantidade e qualidade."

Segundo ele, a operação já gera pró-labore suficiente para substituir a renda e os benefícios que tinha na época de bancário.

Como ele escolheu a franqueadora

Parte da decisão de entrar no setor passou pela estrutura oferecida pela franqueadora. Fundada em 2020, a market4u se tornou a maior rede de mercados autônomos da América Latina, com mais de 2.700 unidades distribuídas por 185 cidades brasileiras.

Para sustentar a expansão, a companhia montou uma operação logística própria, com quatro centros de distribuição localizados em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. O mais recente deles recebeu investimento superior a R$ 1 milhão e tem capacidade para abastecer cerca de 250 lojas por dia.

Na prática, isso reduz uma das maiores dores dos operadores: estoque.

"Eu consigo comprar exatamente a quantidade que preciso para cada loja. Não preciso manter estoque parado nem fazer compras mínimas gigantes", diz Paixão.

Segundo Luciano, a flexibilidade foi um diferencial importante na escolha da rede. Embora possua centros de distribuição próprios, a franqueadora permite que os operadores comprem diretamente de fornecedores e indústrias quando encontram oportunidades melhores de preço.

Além da logística, a rede oferece ferramentas de precificação, controle de validade, análise de mix de produtos e suporte comercial, jurídico e operacional.

"Hoje eu consigo saber quanto custa uma Coca-Cola nos mercados, farmácias e padarias da região. Isso ajuda a precificar corretamente e aumentar as vendas", diz.

Mais liberdade e mais responsabilidade

Embora o faturamento tenha superado as expectativas iniciais, Luciano afirma que o maior ganho não apareceu na conta bancária. Foi na agenda.

Hoje, ele consegue levar os filhos à escola, viajar com a família e organizar os próprios horários — algo praticamente impossível durante os anos em que trabalhou no banco. Mas faz questão de destacar que a liberdade vem acompanhada de responsabilidades.

"Empreender te dá autonomia, mas também aumenta sua responsabilidade."

Ele conta que um dos maiores desafios da transição foi justamente aprender a gerir o próprio tempo. Sem chefes, metas impostas ou horários rígidos, a disciplina passou a depender exclusivamente dele.

Outro aprendizado veio da própria estrutura do negócio. No início, fazia pessoalmente os abastecimentos das lojas. Além de reduzir custos, a prática ajudou a entender a operação e criar relacionamento com moradores, síndicos e clientes.

Lições para quem quer começar a empreender

Três anos depois de deixar o banco, Luciano diz que a principal lição foi entender que empreender exige muito mais preparo do que a maioria das pessoas imagina. Segundo ele, muitos profissionais enxergam apenas a liberdade associada ao empreendedorismo, mas ignoram o nível de disciplina necessário para construir um negócio sustentável.

"Você ganha flexibilidade, mas também ganha responsabilidade. Ninguém vai cobrar seus horários ou suas metas. Você precisa criar isso sozinho."

Outra descoberta foi perceber que uma franquia não funciona como um investimento passivo. Antes de entrar no setor, ele acreditava que bastava comprar a franquia e seguir um manual.

Na prática, percebeu que os resultados dependem tanto do suporte da rede quanto da dedicação do operador. "Não é 100% da franqueadora e nem 100% do franqueado. É uma construção conjunta."

Para quem pensa em investir em mercados autônomos, a recomendação é pesquisar bastante, conversar com outros operadores e entender profundamente a dinâmica do setor antes de tomar uma decisão.

A market4u recebe cerca de 500 candidatos por mês interessados em abrir uma unidade, mas nem todos são aprovados no processo de seleção. "Tem muita oportunidade, mas é preciso entender que vai ter trabalho. Pesquise bastante e entre sabendo que o negócio depende de você."

Hoje, olhando para trás, Luciano não demonstra arrependimento pela mudança de carreira. Se pudesse voltar ao momento em que decidiu deixar o banco, faria apenas uma coisa diferente."Talvez tivesse começado antes."

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