Exame de sangue pode servir de 'relógio' para prever Alzheimer
Um novo estudo de pesquisadores da Washington University School of Medicine, publicado nessa quinta-feira, 19, na revista Nature, sugere que um exame de sangue simples pode funcionar como um tipo de “relógio molecular” para prever não apenas se alguém desenvolverá a doença de Alzheimer — mas também aproximar quando os primeiros sintomas clínicos podem surgir.
Como funciona o teste?
O modelo desenvolvido pelos cientistas utiliza a medição de uma proteína no sangue chamada p-tau217, que está ligada ao acúmulo de placas e emaranhados de proteínas no cérebro, alterações que começam décadas antes dos sinais clínicos do Alzheimer.
Atualmente, testes de p-tau217 já são utilizados para auxiliar no diagnóstico da doença em pessoas com sintomas cognitivos, mas o novo estudo vai além e tenta estimar a idade em que os sintomas podem aparecer em indivíduos ainda cognitivamente saudáveis.
Resultados e previsibilidade
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 600 participantes de grandes estudos longitudinais sobre Alzheimer nos Estados Unidos e construíram modelos que estimam o tempo até o início dos sintomas, com uma margem de erro de cerca de 3 a 4 anos.
A precisão ainda não é suficiente para prever o início dos sintomas de forma individual para cada paciente, mas já representa um avanço substancial em comparação com modelos anteriores que não indicavam esse tempo.
Foi observado também que a idade influencia fortemente o intervalo entre biomarcador positivo e sintomas clínicos: se a p-tau217 aumenta aos 60 anos, os sintomas podem surgir em cerca de duas décadas, enquanto se isso acontece aos 80 anos, o intervalo pode se reduzir para cerca de 11 anos.
Impacto nos tratamentos
Uma ferramenta que estima quando os sintomas surgirão pode mudar o jogo em duas frentes principais:
Acelerar e aprimorar ensaios clínicos: ao identificar pessoas que provavelmente desenvolverão sintomas em um período específico, os pesquisadores podem selecionar participantes para testar terapias preventivas de forma mais eficiente, reduzindo custos e aumentando o poder estatístico dos estudos.
Planejamento clínico e pessoal: num futuro em que terapias preventivas eficazes estejam disponíveis, saber o intervalo provável até os sintomas poderia ajudar médicos e pacientes a planejar intervenções, mudanças no estilo de vida e estratégias de cuidado com mais antecedência.
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