Exclusivo: Chilli Beans chega ao Caribe: ‘Vamos triplicar a nossa operação internacional’, diz CEO
Depois de um 2025 desafiador, a Chilli Beans entra em um novo ciclo com foco claro: crescer fora do Brasil, mas com disciplina.
A rede fundada por Caito Maia fechou o último ano com faturamento de R$ 1,2 bilhão, representando um crescimento tímido de cerca de 4%, em um cenário macroeconômico pressionado por juros elevados, segundo o CEO.
“Foi um ano muito difícil. O país não sobrevive a juros de quase 20%”, afirma o executivo.
Agora, a aposta deste ano é crescer 15% em expansão internacional, especialmente no Caribe.
“A Chilli Beans sempre foi uma marca que desafiou diversos status e olhar para oportunidades faz parte deste processo. Estamos sempre em busca de uma tropicalização da marca aos consumidores locais e a chegada no Caribe faz parte disso”, diz Maia, que pretende investir cerca de US$ 500 mil dólares na região do Caribe nos próximos cinco anos.
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Caribe: a porta de entrada para nova fase global
A estreia da marca no Caribe começa na República Dominicana e marca o início de uma estratégia mais ampla na região. A operação começa com 2 lojas em junho, em modelo de teste, mas o plano é ambicioso: a longo prazo, a expectativa é de que, em 5 anos, aconteça um aumento de 20 operações pela região do Caribe, sendo 10 unidades na República Dominicana, 5 em Porto Rico e 5 entre Jamaica, Barbados e ilhas próximas.
Mais do que expansão acelerada, o movimento reflete um aprendizado acumulado ao longo de 15 anos de atuação fora do Brasil, segundo Maia.
“No começo, a conta não fechava. Hoje a gente descobriu como operar internacionalmente com rentabilidade”, diz o empresário.
Uma das principais mudanças foi abandonar o modelo de levar franqueados brasileiros para outros países. Agora, a estratégia é trabalhar com operadores locais, considerados peça-chave para o sucesso.
“O cara do Caribe é do Caribe. O sucesso da franquia está diretamente ligado ao operador”, afirma.
Turismo como estratégia global
A escolha do Caribe não é aleatória. A Chilli Beans tem concentrado sua expansão em destinos turísticos, onde o fluxo de consumidores internacionais ajuda a fortalecer a marca globalmente.
Além das lojas tradicionais, a empresa está testando novos formatos, como:
“Estamos testando canais de tamanhos diferentes para entender o que funciona melhor em cada país”, diz o CEO.
Veja também: entrevista na íntegra (em vídeo) de Caito Maia, CEO da Chilli Beans, sobre carreira e expectativa do negócio no "De frente com CEO".
A aposta em tecnologia e no “carrinho vendedor”
Apesar do e-commerce representar apenas 4% das vendas do negócio, Maia aposta em outras frentes quando o assunto é tecnologia.
Uma delas é o “Chilli Moov”, um carrinho móvel que funciona como extensão das lojas físicas. Equipado com rodinhas, o dispositivo circula por eventos e pontos turísticos com um vendedor, ampliando a exposição da marca e capturando vendas por impulso fora do ponto fixo.
O modelo foi testado no Rock in Rio com duas unidades e, segundo Maia, teve desempenho acima do esperado, o que levou a empresa a triplicar a operação para seis equipamentos na edição deste ano.
“A gente colocaria uns 30 se o evento deixasse”, diz o CEO, destacando o potencial do formato em ambientes de grande fluxo.
“Chilli Moov”, um carrinho móvel que funciona como extensão das lojas físicas. Neste ano terão 6 unidades no Rock in Rio, segundo o CEO da Chilli Beans (Fabricio Braga / Chilli Beans /Divulgação)
Indonésia lidera, Oriente Médio preocupa
No território internacional, o crescimento em 2025 da Chilli Beans foi melhor do que da operação geral: fora do país a companhia cresceu 23%, chegou a um faturamento de US$ 6 milhões no ano com 65 operações em 16 países.
Entre os países que se destacam está a Indonésia, como o principal mercado internacional da marca, concentrando cerca de 20% a 25% da operação global.
"O país combina forte apelo turístico com custos operacionais mais baixos, o que impulsiona margens", afirma o CEO.
Na sequência aparecem Oriente Médio e Peru como os regiões mais rentáveis para a marca no cenário internacional. Mas nem tudo é crescimento. O conflito no Oriente Médio, que representa cerca de 25% da operação internacional, já impacta diretamente os resultados.
“Está tudo fechado. Shopping não abre em guerra”, diz Maia.
Sobre a China, onde estão os fornecedores dos óculos vendidos pela marca, o CEO diz que ainda não há planos de abrir lojas por lá.
“Não abrimos lojas na China ainda, porque não achamos um parceiro legal,” diz Maia.
Mesmo com os desafios geopolíticos, um dos focos de Maia será apostar no mercado internacional, com crescimento previsto de 15% neste ano.
Quando o recorte é médio prazo, nos próximos 5 anos, a Chilli Beans busca expandir para um total de 140 pontos de vendas em 22 países, com previsão de investimento de US$ 3,5 milhões de dólares até 2030.
Todo o plano exigirá, sobretudo, cautela. A experiência, segundo o CEO, mostrou que crescer lá fora exige mais do que capital, exige adaptação.
“Cada país tem um consumo diferente. Você precisa adaptar coleção, campanha e até o calendário”, diz.
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O plano Brasil: foco na ótica e busca por investidor
Outro vetor importante de crescimento está na vertical de ótica, que deve ganhar protagonismo nos próximos anos no Brasil - e nos países onde a marca está.
O CEO afirma à EXAME que avalia a venda de uma participação minoritária da empresa (cerca de 30%) para financiar essa expansão por meio do banco UBS BB. O objetivo é acelerar a presença no segmento de óculos de grau, impulsionado pelo aumento de problemas de visão, como a miopia.
Hoje, a divisão funciona assim no mercado:
“O meu sonho é ficar tão grande em óculos de grau quanto a gente é em óculos escuros”, afirma o CEO.
Em relação ao crescimento doméstico, a expectativa de Maia é de manter o crescimento do último ano, uma vez que será um ano de eleição, que traz uma certa insegurança para o mercado e investidores, e de Copa do Mundo, onde muitos comércios param mais cedo.
Apesar do cenário incerto, a expansão das lojas segue no plano nacional a todo o vapor: a expectativa é de abrir no Brasil 100 novas lojas.
Entre desafios globais e nacionais, o fundador e CEO da Chilli Beans espera com otimismo um futuro melhor - não só para os negócios, mas para a humanidade.
“Espero um Brasil com menos juros e um mundo sem guerra”, diz Maia.
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