Exportações brasileiras para os EUA caíram 23% no 1º bimestre, diz Amcham
As exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos somaram US$ 2,5 bilhões em fevereiro de 2026, queda de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as vendas ao mercado norte-americano alcançaram US$ 4,9 bilhões. O valor representa retração de 23,2% em comparação com o mesmo período de 2025, equivalente a US$ 812 milhões a menos nas exportações.
Os dados constam no Monitor do Comércio Brasil–EUA, relatório divulgado pela Amcham Brasil nesta terça-feira, 10.
O montante corresponde ao menor resultado para o primeiro bimestre desde 2023. O desempenho reflete fatores de mercado e o impacto das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre o setor de exportações do Brasil até o final de fevereiro.
O resultado amplia a sequência de retração nas vendas brasileiras ao mercado americano. Com o desempenho de fevereiro, as exportações acumulam sete meses consecutivos de queda, trajetória iniciada em agosto de 2025. Naquele período, os Estados Unidos aplicaram tarifas de importação entre 40% e 50% sobre diferentes produtos exportados pelo Brasil.
Apesar de o recuo ter sido menos intenso do que o observado em meses anteriores, os números indicam um início de 2026 marcado por pressões no fluxo comercial entre os dois países.
Segundo a Amcham, as mudanças tarifárias anunciadas no fim de fevereiro ainda não aparecem integralmente nas estatísticas. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos encerrou as sobretaxas de 40% e 50%, após serem consideradas ilegais. Como reação, o presidente americano Donald Trump instituiu uma nova tarifa global de 10%.
Os produtos que influenciaram a queda
Entre os produtos que influenciaram a queda de 23,2% no 1º bimestre estão itens relevantes do comércio bilateral. As exportações de petróleo bruto recuaram 80,7%, enquanto os combustíveis derivados de petróleo registraram queda de 42,2%. Ambos são produtos que não estavam sujeitos às sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos.
O café, também isento das tarifas desde novembro de 2025, apresentou retração anual de 40%, o que contribuiu para a redução do valor exportado no mês.
Produtos submetidos às sobretaxas de 40% e 50% até o fim de fevereiro registraram queda de 27,4% em fevereiro. Itens atingidos pelas tarifas da Section 232, legislação americana voltada à segurança nacional aplicada a setores industriais, como produtos de madeira, tiveram recuo mais intenso.
Segundo Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, os números divulgados ainda não refletem o impacto da mudança na política tarifária de Trump com a decisão da Suprema Corte dos EUA
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos chegou a US$ 900 milhões, alta de 142,3% na comparação anual. O aumento ocorreu porque a retração das exportações foi maior do que a queda nas importações.
As compras brasileiras de produtos americanos recuaram 16,5% em fevereiro, segundo mês consecutivo de redução. Ainda assim, os Estados Unidos permaneceram entre os principais fornecedores do Brasil, ocupando a terceira posição entre as origens das importações, atrás de China e Coreia do Sul.
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