Fábrica gaúcha faz 2 milhões de paçocas por dia e já fatura R$ 117 milhões com festas juninas

Por Daniel Giussani 26 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fábrica gaúcha faz 2 milhões de paçocas por dia e já fatura R$ 117 milhões com festas juninas

Para os irmãos Willian e Wagner Freitas, as comemorações de festa junina são duplas. Tem as festas em si, mas tem também o maior pico de vendas na empresa que eles comandam em Santo Antônio da Patrulha, cidade do interior gaúcho a 80 quilômetros de Porto Alegre.

A DaColônia é uma indústria de alimentos fundada em 1962 nessa cidade de 42.000 habitantes. Vice-líder nacional em paçocas, fechou 2025 com 463 milhões de reais em faturamento e produz mais de 1.200 toneladas por mês de alimentos à base de amendoim.

E em dois meses, a produção fica ainda mais acelerada. Durante maio e em junho, a empresa faz 2 milhões de paçocas por dia. O que faz desse período o mais importante do negócio.

Para ter uma ordem de grandeza, em 2025, o período concentrou 25% do faturamento da empresa, o equivalente a 117 milhões de reais em vendas. Para dar conta da demanda deste ano, a indústria, que tem 850 funcionários efetivos, contratou mais 180 temporários.

"As festas juninas têm uma importância estratégica para a DaColônia, porque representam uma das principais sazonalidades do ano para a companhia. Nossos produtos mais tradicionais, como paçocas, pé de moleque, pé de moça, amendoim doce e rapaduras, fazem parte da cultura junina brasileira e possuem forte conexão emocional com o consumidor", afirma Willian Freitas, diretor e neto do fundador.

Para 2026, a meta é crescer 10% e chegar a 508 milhões de reais em receita. A aposta passa por reforçar a presença nos pontos de venda — em 2025, a estratégia de montar barracas temáticas gerou vendas 27% acima da meta no período junino, e a empresa ampliou o número de barracas em 30% neste ano.

Como a paçoca virou o pico do ano

A força de maio e junho vem da própria natureza do portfólio.

A DaColônia tem mais de 250 produtos, sendo cerca de 70% à base de amendoim — o ingrediente que é símbolo da mesa de festa junina. Paçoca, pé de moleque, pé de moça, amendoim doce e rapadura estão entre os itens mais tradicionais da linha.

A produção de paçoquinhas chega a 2 milhões de unidades por dia no período, em três versões, da tradicional à adoçada com açúcar mascavo e a zero açúcar. A categoria de paçocas responde por mais de 25% do faturamento da empresa ao longo do ano.

Para sustentar o volume, a operação precisa se reorganizar. Aos 850 funcionários efetivos somam-se 180 temporários contratados só para a temporada — um reforço de mais de 20% no quadro para atender ao pico.

Qual a estratégia para vender mais

A aposta mais recente para a sazonalidade está no ponto de venda. Em 2025, a DaColônia montou barracas temáticas de festa junina em pontos de venda estratégicos, uma ação de trade marketing voltada ao consumidor final.

O resultado foi vendas no caixa 27% acima da meta durante o período. Diante do número, a empresa ampliou o projeto em 2026, com 30% mais barracas na comparação com o ano anterior.

A lógica é levar o produto ao consumidor no momento em que ele já está disposto a comprar. Em vez de esperar que o cliente procure a paçoca na gôndola, a marca monta a barraca temática no caminho dele.

Quais são os produtos inéditos

Os clássicos ainda mandam na festa junina, mas a DaColônia observa uma demanda crescente por produtos com ingredientes mais naturais e melhor perfil nutricional. A resposta foi ampliar o portfólio sem abrir mão dos tradicionais.

"A saudabilidade não substitui o consumo tradicional das Festas Juninas, mas amplia as possibilidades da categoria. Por isso, além dos itens clássicos, nosso portfólio inclui versões com açúcar mascavo, opções zero açúcar e produtos alinhados ao consumo equilibrado", afirma Willian.

Esse movimento conversa com outra frente de expansão da empresa: o canal farma, ou seja, a venda de produtos em farmácias.

A DaColônia entrou no segmento em 2024 e registrou crescimento de mais de 130% no faturamento da área em 2025, com mais de 60 produtos voltados a funcionalidade e bem-estar.

De rapadura no tacho a meio bilhão

A DaColônia nasceu da escassez. Em 1962, Israel Gomes de Freitas, pai de dez filhos, começou a produzir rapadura de melado de cana para vender a ambulantes que passavam por Santo Antônio da Patrulha. O amendoim só entrou na década de 1970, quando os primeiros testes misturando melado e amendoim deram origem ao pé de moleque. Depois vieram a paçoca e o restante do portfólio.

Hoje, sob a terceira geração da família, a empresa exporta para mais de 20 países e está presente em mais de 30.000 pontos de venda no Brasil. O crescimento foi de 173% em cinco anos — de 170 milhões de reais em 2020 para os 463 milhões de 2025.

A fábrica segue no mesmo endereço onde Israel começou a fazer rapadura, há mais de seis décadas. E maio e junho seguem sendo, como na origem do negócio, a época em que o amendoim faz o caixa girar mais rápido.

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