FIDCs e FIIs movimentam mercado de capitais em 2026; ofertas passaram de R$ 230 bi
O mercado de capitais brasileiro começou 2026 em ritmo mais forte, com avanço das emissões de fundos estruturados e notas comerciais.
As ofertas somaram R$ 236,1 bilhões entre janeiro e abril, alta de 15,5% em relação a igual período do ano passado, enquanto o número de operações cresceu 10,5%, para 918 emissões.
Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O crescimento foi puxado, principalmente, pelas ofertas de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e notas comerciais no primeiro quadrimestre.
Somente em abril, o volume movimentado alcançou R$ 55,4 bilhões em 227 operações. O resultado representa avanço de 14% sobre o mesmo mês de 2025.
FIDCs lideram avanço das emissões
Os FIDCs lideraram o movimento entre os instrumentos que mais cresceram. As emissões desses fundos chegaram a R$ 36,4 bilhões no acumulado do quadrimestre, alta de 47,6% na comparação anual.
Em abril, o segmento movimentou R$ 15 bilhões, maior patamar mensal desde dezembro de 2021.
O presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, Guilherme Maranhão, destacou que o volume médio mais baixo das operações reforça o papel dos FIDCs como acesso ao mercado de capitais.
"O valor médio de R$ 111,2 milhões por operação é o menor entre todos os instrumentos, reforçando seu papel de porta de entrada para muitas empresas no mercado de capitais ao permitir o acesso a um funding estruturado, previsível e alinhado ao fluxo de recebíveis", detalhou.
Regime Fácil impulsiona notas comerciais
As emissões das notas comerciais atingiram R$ 13,7 bilhões no quadrimestre, crescimento de 46,9% frente a igual intervalo do ano passado.
Parte desse movimento veio das primeiras operações concluídas dentro do chamado Regime Fácil, criado pela Resolução 232, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para simplificar captações de emissores menores.
Até o momento duas ofertas foram encerradas no Regime Fácil, somando R$ 23 milhões.
Na avaliação de Maranhão, o novo regime deve acelerar a entrada de companhias de menor porte no mercado de capitais, embora a adoção da ferramenta ainda deva ocorrer de forma gradual.
FIIs e Fiagros ampliam captações
Já as ofertas de FIIs somaram R$ 25,9 bilhões entre janeiro e abril, mais que o dobro do registrado um ano antes, com crescimento de 106,5%.
Os Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros), por outro lado, movimentaram R$ 4 bilhões, avanço de 128,1% no período.
Só que, enquanto os instrumentos estruturados avançaram, o mercado de debêntures perdeu ritmo. As emissões totalizaram R$ 119,7 bilhões no quadrimestre, queda de 5,6% na comparação anual.
Quase metade dos recursos levantados foi destinada a projetos de infraestrutura, que responderam por 47% do total, enquanto 17,2% foram usados para gestão ordinária das empresas.
O prazo médio das debêntures caiu de 8,8 anos para 8,2 anos no período, indicando uma leve redução no horizonte das captações em meio ao cenário de juros elevados.
CRAs recuam e CPR-Fs ganham espaço
As emissões dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) somaram R$ 12,8 bilhões, queda de 18,9%, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) movimentaram R$ 3,9 bilhões, recuo de 58,3%.
Parte desse enfraquecimento no mercado de CRA ocorreu paralelamente ao crescimento das Cédula de Produto Rural com Liquidação Financeira (CPR-Fs), instrumento usado como alternativa de financiamento ao agronegócio.
As ofertas dessas cédulas atingiram R$ 5,9 bilhões apenas no primeiro quadrimestre, superando todo o volume emitido ao longo de 2025, que havia sido de R$ 4,5 bilhões.
Captações externas avançam
No mercado externo, as emissões brasileiras de renda fixa também aceleraram. As operações somaram US$ 18,6 bilhões no acumulado até abril, alta de 42,9% sobre igual período do ano passado.
Apenas em abril, o volume alcançou US$ 9,8 bilhões.
A maior parte das captações internacionais veio da República, responsável por 55,5% das emissões. Empresas responderam por 33,5% do total, enquanto instituições financeiras ficaram com 11%.
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