Figma revisa projeção e vê receita de até US$ 1,43 bilhões com IA

Por Maria Eduarda Cury 15 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Figma revisa projeção e vê receita de até US$ 1,43 bilhões com IA

A aposta da Figma em inteligência artificial começou a se traduzir em números concretos. A empresa revisou para cima sua projeção de receita anual para 2026, passando de uma faixa entre US$ 1,36 bilhão e US$ 1,37 bilhão para entre US$ 1,42 bilhão e US$ 1,43 bilhão. As ações responderam com alta de 15% após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.

O motor da revisão está na monetização das ferramentas de IA. A partir de março, a empresa passou a cobrar créditos adicionais de usuários que ultrapassassem os limites incluídos nos planos, e a adesão superou as expectativas internas. Mais de 75% dos clientes das categorias corporativas que já haviam atingido esses limites continuaram consumindo créditos extras em abril, sinalizando disposição real de pagar pelo recurso.

Os números do trimestre encerrado em março reforçam esse cenário. A receita ficou em US$ 333,4 milhões, acima da projeção de analistas de US$ 313,2 milhões. Para o segundo trimestre, a empresa projeta entre US$ 348 milhões e US$ 350 milhões, também acima do consenso de mercado de US$ 327 milhões, segundo dados da LSEG.

Ao registrar sua oferta pública, a Figma já sinalizava que os investimentos em IA seriam substanciais, mesmo que pudessem reduzir a eficiência no curto prazo, por entender a tecnologia como central para o futuro dos fluxos de trabalho de design. O Figma Make, ferramenta que transforma comandos de texto em protótipos funcionais, havia sido apresentado como foco ainda durante a preparação para a abertura de capital (IPO).

O fantasma do Claude Design

Mas o resultado positivo vem acompanhado de um alerta que o próprio CFO da empresa, Praveer Melwani, não se esquivou ao falar com a Reuters: a Anthropic. Em abril, a startup lançou o Claude Design, que replica as mesmas funcionalidades de aplicativos populares de design. "Não dá para desconsiderar. A capacidade deles de treinar modelos próprios e integrá-los aos seus produtos é algo que acompanhamos de perto", disse o executivo.

A declaração é relevante porque a Figma já tem uma relação próxima com a Anthropic. O Figma Make utiliza modelos da própria startup para gerar protótipos a partir de texto. Assim, a entrada direta da empresa dona do Claude no mercado de design transforma um parceiro tecnológico em um competidor em potencial.

Quando estreou na bolsa em julho de 2025 com alta superior a 200%, a Figma foi lida como sinal de que empresas de alto crescimento estão redirecionando ao mercado de IPOs. Agora, menos de um ano depois, o desafio é mostrar que esse crescimento resiste à mesma onda de IA que o impulsionou e que não será engolido por ela.

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