Filhos de Trump movimentam US$ 1,4 bilhão no mercado de criptomoedas

Por Maria Eduarda Cury 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Filhos de Trump movimentam US$ 1,4 bilhão no mercado de criptomoedas

Os filhos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vêm acumulando uma fortuna acelerada no mercado de criptomoedas por meio da World Liberty Financial, iniciativa criada há cerca de 16 meses e que já gerou mais de US$ 1,4 bilhão em valor para seus principais envolvidos. O projeto é conduzido por Eric Trump, Donald Trump Jr. e Barron Trump, em parceria com Zach Witkoff e Brandon Lutnick, também filhos de figuras centrais do atual governo americano.

Uma estimativa publicada pelo Wall Street Journal, com base em registros públicos da Trump Organization, indica que o montante levantado pela World Liberty Financial em pouco mais de um ano se aproxima do valor obtido pelas operações tradicionais da família Trump — como hotéis e campos de golfe — ao longo de cerca de sete anos. Na prática, os filhos superaram o patriarca na velocidade de geração de riqueza.

Embora porta-vozes da Casa Branca afirmem que Trump não participa da gestão da empresa, sua influência política foi apontada como um fator relevante para a entrada de investidores estratégicos. Um dos episódios mais sensíveis envolve a aquisição de 49% da World Liberty Financial por entidades ligadas ao governo de Abu Dhabi, em uma transação estimada em US$ 500 milhões.

A operação foi liderada por Tahnoun bin Zayed Al Nahyan, vice-governante de Abu Dhabi e figura central da política e dos investimentos do emirado. O negócio foi fechado poucos dias antes da posse de Trump para seu segundo mandato e passou a ser alvo de questionamentos e análises regulatórias, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior.

Registros indicam que a venda rendeu cerca de US$ 187 milhões diretamente à família Trump, enquanto aproximadamente 31% do valor foi direcionado a entidades ligadas aos Witkoff. O acordo, por sua vez, não concedeu ao investidor árabe participação direta nos lucros futuros da operação, o que reforçou o debate sobre a natureza estratégica — e não apenas financeira — da transação.

Inicialmente, Trump chegou a atuar como defensor público do setor de criptomoedas, posicionando-se como um aliado político da indústria. Com o avanço do projeto, seu papel foi formalmente reduzido ao de fundador sem função executiva, segundo representantes da empresa.

A proximidade pessoal entre as famílias envolvidas também entrou no radar de analistas. Relações construídas em viagens, casamentos e eventos privados ajudaram a consolidar o núcleo do negócio, mas não impediram dificuldades iniciais para atrair investidores institucionais, sobretudo em meio aos históricos embates políticos e jurídicos associados ao sobrenome Trump.

A virada veio com a aposta em finanças descentralizadas e no apoio operacional de influenciadores do setor cripto, como Zak Folkman e Chase Herro, figuras conhecidas em comunidades digitais por promover projetos de alto risco e alta volatilidade.

Após sucessivas reformulações para se adaptar ao mercado, a World Liberty Financial passou a concentrar esforços na integração com a carteira da Binance e planeja lançar novos produtos nos próximos meses. No dia 18 de fevereiro, os fundadores devem apresentar a estratégia para 2026 em um fórum que contará com a presença de David Solomon, CEO do Goldman Sachs, além de políticos do Partido Republicano.

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