Fintech de Londres aposta em Pix, cartão e blockchain para crescer no Brasil

Por Tamires Vitorio 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fintech de Londres aposta em Pix, cartão e blockchain para crescer no Brasil

A Zeom, fintech global de tecnologia financeira com sede em Londres, iniciou suas operações no Brasil após uma fase de testes com centenas de clientes no país.

A proposta da empresa é dar ao investidor comum acesso a ativos internacionais e a uma conta global a partir de R$ 50 — um tipo de serviço historicamente restrito ao público de alta renda e aos family offices.

Para sustentar a entrada no mercado brasileiro, a companhia recebeu um aporte pre-seed de R$ 15 milhões, liderado pela Fabric Ventures, gestora global de venture capital especializada em fintechs, blockchain e ativos digitais.

A rodada também contou com a aceleradora Plug and Play e o fundo espanhol Tritemius, sediado em Madri.

O que a Zeom oferece

Fundada pelos sócios Rafael Pereira, André Bastos, Bruno Maia e Roberto Ono Filho, a Zeom opera por meio de um aplicativo, disponível para iOS e Android, que combina conta global, acesso a ativos internacionais e movimentação financeira via Pix e cartão.

A plataforma permite converter reais para uma conta em moeda estrangeira de forma instantânea e usa infraestrutura baseada em blockchain.

O cartão internacional da empresa é aceito em mais de 190 países. A proposta, segundo a companhia, é facilitar a diversificação patrimonial e a proteção em moeda forte para investidores que antes não tinham acesso a esse tipo de serviço.

A aposta no investidor brasileiro

A estratégia da fintech se apoia em um diagnóstico do mercado nacional.

Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima em parceria com o Datafolha, 36% da população já investe em produtos financeiros — o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. A concentração, porém, ainda é grande nos produtos mais conservadores: a poupança aparece em 22% das carteiras e os títulos privados, em 7%.

É nesse espaço que a Zeom diz enxergar oportunidade. A participação em ações representa apenas 2% segundo a pesquisa, enquanto fundos de investimento e ativos digitais alcançam 5% e 4%, respectivamente — números que, para a empresa, revelam um terreno pouco explorado de diversificação.

"A pesquisa revela uma evolução da cultura de investimentos no Brasil", afirma Rafael Pereira, sócio-fundador da Zeom. Para ele, o desafio do mercado deixou de ser apenas ampliar o número de investidores e passou a ser expandir o acesso a alternativas de diversificação.

Meta de 50 mil clientes em 2026

Mesmo antes do lançamento oficial, a empresa afirma já ter usuários ativos na plataforma. A meta é alcançar 50 mil clientes no Brasil até o fim de 2026.

Para os investidores que aportaram na fintech, o potencial está ligado ao perfil da região.

"A América Latina combina uma população cada vez mais digitalizada, alta adoção de pagamentos instantâneos e uma demanda crescente por diversificação patrimonial", afirma Anil Hansjee, general partner da Fabric Ventures.

Segundo ele, esse ambiente cria condições favoráveis para o surgimento de novas plataformas financeiras voltadas a mercados emergentes.

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