Fleury eleva lucro, barateia dívida e ainda vai às compras — mesmo com juros nas alturas
O Grupo Fleury abriu 2026 na contramão do ambiente macro. Com juros elevados corroendo margens no setor, a companhia cresceu lucro acima da receita, reduziu o custo da dívida e mantém apetite por aquisições. O lucro líquido do primeiro trimestre foi de R$ 201,2 milhões, alta de 12,2%, com margem líquida de 9,1%.
A receita líquida atingiu R$ 2,22 bilhões, crescimento de 10,3%, puxada pelo B2C (negócios de atendimento direto ao paciente), que avançou 15,1%. A marca Fleury, com mais de 50% de market share no segmento premium, cresceu 12,1% pelo terceiro trimestre consecutivo. A única linha negativa foi Novos Elos (clínicas de infusão e especialidades), com retração de 12,8%.
O EBITDA somou R$ 606 milhões (+10,7%), com margem estável de 27,3%. O principal ponto de pressão nos custos foi pessoal e serviços médicos (+17,1%), por aumento pontual no custo de assistência médica e maior provisão de PLR.
O fluxo de caixa operacional recuou 17,9%, para R$ 264,6 milhões, pressionado por contas a receber que subiram R$ 298 milhões, por conta do carnaval em fevereiro e menos dias úteis no período. O fluxo de caixa livre da empresa avançou 72,8%, para R$ 204,5 milhões.
O capex totalizou R$ 60,6 milhões (-9,4%), mas com mudança de composição relevante: menos manutenção, mais expansão. O investimento em novas unidades saltou 65,2%, refletindo os R$ 35 milhões destinados à Unidade Marco 100, centro de medicina preventiva e longevidade que inaugura em maio.
O trimestre não trouxe aquisições novas, mas os efeitos das compras feitas em 2025 já apareceram nos números. A incorporação do Hemolab, em Minas Gerais, e das redes Confiance, na região de Campinas, e LSL, em Rio Claro ajudou a impulsionar o volume de atendimentos, que subiu 18,6%, e de exames, que avançou 17,8% no trimestre.
"A gente sempre vai olhar oportunidades de uma maneira geral, seguindo o parâmetro estratégico, cultural e a disciplina econômico-financeira", afirma a CEO Jeane Tsutsui.
O custo médio da dívida caiu para CDI+0,94%, após operação em 2024 que trocou dívidas antigas por emissões com spread menor e prazo mais longo. Com Selic acima de 13%, essa diferença explica como o lucro cresceu mais que a receita mesmo com o resultado financeiro piorando 11,3%.
"Não só a gente ficou com a alavancagem baixa, mas também fizemos uma gestão importante da otimização da dívida", disse José Filippo, CEO do Fleury. "Nós temos uma boa estrutura de capital".
"A companhia enfrenta com resiliência o ambiente de juros elevados com alavancagem confortável em 1,0x, distante do limite de 3,0x estabelecido pelos instrumentos de dívida."
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