Focus, expectativas de empresas, falas de Powell: o que move os mercados

Por Caroline Oliveira 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Focus, expectativas de empresas, falas de Powell: o que move os mercados

Apesar da semana encurtada pelo feriado de Sexta-Feira Santa, esta segunda-feira, 30, concentra indicadores relevantes no Brasil e no exterior, além de falas importantes de autoridades monetárias em um ambiente ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre inflação e commodities.

No cenário doméstico, o destaque fica para a divulgação às 08h do IGP-M de março, indicador relevante para capturar possíveis pressões inflacionárias no atacado em meio ao encarecimento recente de energia e fertilizantes.

Na sequência, também será divulgado a Pesquisa Focus, que segue no radar após sucessivas revisões para cima da inflação. Ela será a primeira leitura das expectativas do mercado após a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) e das sinalizações de Gabriel Galípolo na última semana, servindo para medir a ancoragem das projeções de juros para 2026.

Além disso, saem os empréstimos bancários de fevereiro, importantes para acompanhar o ritmo do crédito, e o resultado do Tesouro Nacional, indicador relevante para o monitoramento da dinâmica fiscal.

Às 10h, será divulgada a Pesquisa Firmus do Banco Central (BC), referente ao 1º trimestre de 2026, que traz a percepção de empresas do setor não financeiras. O levantamento mede expectativas sobre PIB, inflação e custos, oferecendo uma visão do setor produtivo que complementa o Boletim Focus. A pesquisa visa auxiliar o BC na formulação da política monetária.

O que acompanhar no exterior

Nos Estados Unidos, o principal evento do dia será o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, às 11h30, em um momento em que dirigentes do banco central têm reforçado a incerteza gerada pelo conflito no Oriente Médio sobre a trajetória da inflação e da política monetária.

Simultaneamente, será apresentado o Índice de Atividade das Empresas Fed Dallas, que caiu para -3,2 em fevereiro de 2026, indicando leve deterioração nas condições. Leituras abaixo de zero indicam contração, refletindo um momento de cautela nas perspectivas econômicas regionais.

Também estão no radar falas de John Williams, do Fed de Nova York, o que pode influenciar as expectativas de juros e a volatilidade dos ativos. Além disso, serão divulgados indicadores de estoques no varejo (excluindo automóveis), que ajudam a calibrar as expectativas sobre o ritmo da economia americana.

Completam a agenda leilões de títulos do Tesouro de 3 e 6 meses, monitorados como referência para as condições de financiamento e percepção de risco fiscal.

Na Zona do Euro, serão divulgados às 06h diversos indicadores de confiança de empresas e consumidores, além das expectativas de inflação, dados importantes para avaliar o sentimento econômico na região.

Na Alemanha, sai às 09h a prévia do IPC mensal e anual, referências relevantes para as projeções de inflação europeia.

No Japão, destaque para o IPC de Tóquio de março, que será divulgado às 20h30, que deve ser influenciado pelos subsídios governamentais sobre combustíveis. Além disso, simultaneamente, serão apresentados a taxa de desemprego do Japão, a produção industrial e as vendas do varejo no país.

Na China, serão divulgados os PMIs de março, indicadores importantes para medir o ritmo da atividade econômica.

Geopolítica e commodities

As declarações do Donald Trump sobre a prorrogação do prazo para um cessar-fogo com o Irã perderam efeito sobre a aversão ao risco dos mercados, e, segundo a The Economist, a decisão sobre a continuidade do conflito depende agora principalmente de Teerã.

O risco de escalada, com possível ataque à infraestrutura energética iraniana e impactos no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, mantém a incerteza elevada e sustenta o barril ao redor de US$ 100, reforçando pressões inflacionárias globais — ainda que o cenário-base não aponte recessão no curto prazo.

Além do petróleo, fertilizantes também seguem pressionados, o que pode afetar os preços dos alimentos nos próximos meses, enquanto a expansão do uso de biocombustíveis adiciona novas tensões sobre commodities agrícolas, especialmente açúcar e milho.

No front corporativo, a temporada de balanços ganha tração com os resultados de empresas como a Nike (NKE), McCormick & Co. (MKC), Dominari Holdings Inc. (DOMH) e a MicroStrategy (MSTR) — esta última acompanhada com lupa devido à sua exposição direta ao Bitcoin.

No Brasil, é a vez de Oncoclínicas (ONCO3), Agrogalaxy (AGXY3) e Rede D'or (RDOR3) divulgarem seus resultados financeiros.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: