Focus, petróleo e 'Payroll' ditam o tom em semana mais curta no Brasil
O mercado financeiro inicia o mês de junho com uma semana mais curta no Brasil. Na quinta, 4, com o feriado de Corpus Christi, não haverá negociações na B3. O mercado retomará as atividades na sexta-feira e a expectativa é de liquidez reduzida. Os investidores seguem atentos à evolução dos conflitos no Irã e às restrições no Estreito de Ormuz.
Em maio, o petróleo Brent, referência para o mercado global, recuou 17,4% e chegou a ser negociado abaixo dos US$ 90. A percepção de que os conflitos no Oriente Médio podem estar próximos de um desfecho fez a cotação da matéria-prima se distanciar das máximas do ano, quando tocou o patamar dos US$ 120.
A decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas também segue no radar. Especialistas falam de impactos possíveis no setor financeiro e há preocupações também por parte do empresariado. O episódio também tem potencial para mexer com a corrida presidencial.
Boletim Focus abre a semana com sequência de altas no IPCA
A semana começa com o Boletim Focus e a projeção dos bancos para a inflação está no radar. No relatório da semana passada, ela subiu de 4,92% para 5,04%, na 11ª alta consecutiva. São quase três meses seguidos de revisões para cima nas expectativas para o IPCA, um sinal de desancoragem que preocupa analistas e o próprio Banco Central.
O movimento reflete o ambiente inflacionário mais desafiador provocado, entre outros fatores, pelos choques no mercado de petróleo decorrentes do conflito no Oriente Médio. A projeção para a Selic ao fim de 2026 está em 13,25% ao ano e mostra o mercado precificando um ciclo de afrouxamento monetário mais lento e menos intenso do que se esperava no início do ano.
Demais indicadores da agenda brasileira
Na terça-feira, 2, o IBGE divulga a produção industrial de abril. O dado chega após o PIB do primeiro trimestre ter surpreendido o mercado na semana passada com uma aceleração acima do esperado. Na quarta-feira, 3, o destaque é a balança comercial de maio, mês marcado pela forte volatilidade nos preços das commodities.
Na sexta-feira, 5, a Anfavea publica os dados de produção e vendas de veículos de maio, termômetro relevante de demanda interna e de capacidade do setor industrial.
Agenda internacional
Na terça-feira, 2, o relatório JOLTS de abril revela a dinâmica de vagas abertas e ainda não preenchidas. Em março, o indicador registrou 7,4 milhões de postos de trabalho, praticamente estável em relação ao mês anterior.
Na quarta-feira, 3, o relatório ADP, de criação de vagas no setor privado em maio, oferece um termômetro antecipado para o Payroll. Nesse mesmo dia, o Fed publica o Livro Bege, compilação qualitativa das condições econômicas por distrito. O documento oferece ao mercado pistas sobre como o banco central lê o momento da economia americana.
O grande evento fica para a sexta-feira, 5: o Payroll de maio, com os números oficiais de emprego, taxa de desemprego e salários. Com a inflação ainda resistente e o Fed mantendo os juros em patamar elevado, qualquer surpresa nesses dados pode mover os mercados.
Europa: PIB e sinais do BCE
Na sexta-feira, 5, a Zona do Euro divulga o PIB do primeiro trimestre de 2026, dado que ajudará a dimensionar o ritmo de crescimento da economia europeia num momento de pressão inflacionária renovada pelos custos de energia.
Membros influentes do Banco Central Europeu têm sinalizado para uma alta de juros na reunião dos próximos dias 10 e 11 de junho, em resposta à pressão inflacionária alimentada pelos custos de energia associados à guerra no Oriente Médio. O resultado do PIB desta semana entra diretamente nessa equação.
Calendário corporativo
Na frente corporativa, a semana encerra a temporada de resultados do primeiro trimestre fiscal americano com nomes de peso na tecnologia e na cibersegurança. Palo Alto Networks divulga seus números na terça-feira após o fechamento. Na quarta-feira, 3, é a vez de CrowdStrike e Broadcom.
A Broadcom, uma das poucas empresas do mundo com capitalização de mercado acima de US$ 1,5 trilhão, chega ao balanço com expectativas elevadas. No trimestre anterior, a receita atingiu um recorde de US$ 19,3 bilhões, alta de 29% ano a ano, impulsionada por uma expansão de 106% nas receitas de semicondutores para inteligência artificial.
A CrowdStrike reporta o primeiro trimestre do seu novo ano fiscal. A empresa de cibersegurança passa por um momento de reaceleração de receitas após anos de desaceleração, e os resultados desta semana podem confirmar ou interromper essa tendência, num setor que debate os efeitos da inteligência artificial sobre a demanda por software de segurança.
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