Funcionários da Samsung pressionam empresa por fatia bilionária dos lucros gerados com IA

Por Maria Eduarda Cury 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Funcionários da Samsung pressionam empresa por fatia bilionária dos lucros gerados com IA

As ruas ao redor do complexo de semicondutores da Samsung, em Pyeongtaek, na Coreia do Sul, foram tomadas por milhares de protestantes. O aumento do faturamento com inteligência artificial fez com que os funcionários da gigante de tecnologia ficassem insatisfeitos com a atual divisão de lucros, decidindo então apoiar a pauta do movimento sindical da companhia. Foram mais de 30 mil pessoas apoiando que 15% do lucro operacional seja revertido aos indivíduos que trabalham no setor de chips.

Considerando os resultados recentes da companhia, o montante ultrapassaria 40 trilhões de wons, o equivalente a cerca de US$ 27 bilhões. No total, o valor representaria mais de US$ 400 mil  por trabalhador. Choi Seung-ho, presidente do sindicato da Samsung, comentou à Bloomberg que os trabalhadores sustentaram a fabricante asiática enquanto ela falava sobre "crise todos os anos". "Mas no meio dessas crises, não foi a gestão que sustentou a Samsung Electronics. Foram os funcionários — os membros do sindicato — que fabricaram, melhoraram processos, trabalharam a noite toda e elevaram os rendimentos", disse Seung-ho.

O que a Samsung respondeu

A empresa e o sindicato já se sentaram à mesa diversas vezes, mas não conseguiram chegar a um consenso. A Samsung chegou a propor destinar 10% do lucro operacional a bônus, reajustar os salários em 6,2% e ampliar benefícios como acesso facilitado a financiamentos imobiliários. Para o sindicato, a oferta ficou aquém: a categoria exige pelo menos 7% de aumento salarial e mantém a demanda por 15% dos lucros.

Comparações com a SK Hynix, rival da Samsung no segmento de chips, foram inevitáveis. No ano passado, a empresa revelou que destinaria 10% do lucro anual a um fundo que serviria como bônus para funcionários com desempenho positivo. Hoje, trabalhadores da Big Tech querem uma bonificação similar.

Com a recusa da Samsung em aceitar a primeira proposta, os trabalhadores ameaçaram uma greve de 18 dias com início planejado para 21 de maio. A empresa, no entanto, disse à Bloomberg que continuará em conversa com o sindicato para "alcançar um acordo rápido nas negociações salariais".

Disputa cresce enquanto Samsung tenta se manter líder

O conflito trabalhista acontece num momento delicado para a Samsung. A companhia perdeu espaço para a SK Hynix no segmento de chips HBM, essenciais para os processadores de IA da Nvidia. As duas fabricantes se unem à americana Micron Technology para disputar uma fatia de mercado cada vez mais valiosa à medida que a demanda por infraestrutura de IA explode.

Para retomar a liderança, a Samsung apostou na entrega comercial da próxima geração de chips HBM4 e foi a primeira empresa a colocá-los nas mãos de clientes. Ela também direciona esforços para pesquisas em IA com investimento de US$ 73,24 bilhões; a ideia é se manter sempre um passo adiante de fornecedores que podem sustentar o mercado. Mas qualquer paralisação prolongada pode comprometer o esforço de recuperação que vem sendo feito pela gigante de tecnologia.

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