Fundo de US$ 25 milhões vai financiar pequenos produtores na Amazônia
O Banco da Amazônia, o Instituto Amazônia+21 e a Global Citizen anunciaram nesta quinta-feira, 14, em Nova York, o Fundo Rural+Verde, voltado ao financiamento de pequenos produtores rurais na Amazônia Legal. O lançamento ocorreu durante o evento Global Citizen NOW: NYC, parte da Brazil Week.
O fundo é estruturado como blended finance e tem meta de captar US$ 25 milhões até setembro. O Banco da Amazônia entra como cotista âncora com aporte de US$ 2 milhões. A mobilização de investidores adicionais, incluindo internacionais, será conduzida pela FAIS — Facility de Investimentos Sustentáveis, spin-off do Instituto Amazônia+21 — em parceria com a Global Citizen.
"O Fundo Rural+Verde é um fundo catalítico, concebido como a primeira etapa de uma estrutura mais ampla de blended finance. Em um primeiro momento, a operação se concentra na preparação do território e na organização das potencialidades das cadeias produtivas verdes por meio de capital catalítico", explica Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21 e vice-presidente da CNI. "Em uma etapa subsequente, a estrutura prevê a entrada de novos recursos, compostos por diferentes fontes de capital, dentro da lógica de blended finance."
Como vai funcionar?
Na primeira fase, os aportes têm natureza filantrópica. O fundo atenderá territórios previamente selecionados, incluindo assentamentos rurais, comunidades pesqueiras e quilombolas, com os quais o Instituto já mantém relacionamento. Também poderá aportar recursos — por meio de aporte subordinado ou equity — em projetos já em operação na região, desde que alinhados à tese do Rural+Verde.
A modelagem prevê que, a partir do segundo ano, a operação passe a ser sustentada pelo rendimento dos próprios ativos, aliado à continuidade da captação.
Entre os projetos previstos está a eletrificação de embarcações de pesca em assentamentos rurais e a criação de um grid de abastecimento energético. Hoje, pescadores da região destinam entre 80% e 85% da renda mensal ao combustível fóssil. "O projeto de Descarbonização da Pesca evidencia a capacidade do Fundo Rural+Verde de mobilizar parceiros estratégicos", afirma Thomé.
O fundo responde a um gargalo histórico da região: embora a agricultura familiar responda por cerca de 74% dos empregos rurais da Amazônia Legal, apenas 3% dos agricultores familiares tiveram acesso a crédito subsidiado, segundo levantamentos recentes. "O desafio não é a falta de projetos, mas a ausência de instrumentos que permitam financiá-los com escala, coordenação e segurança. A Amazônia produz riqueza há séculos, mas continua exportando valor e importando pobreza", diz Thomé.
Financiamento climático
Após o anúncio, será iniciada a estratégia de captação e mobilização de novos investidores, inclusive internacionais, com apoio da Global Citizen. Apesar do cenário geopolítico de retração de financiamento climático, Thomé afirma que "a estratégia do Fundo Rural+Verde está orientada ao longo prazo, transcendendo mandatos e ciclos políticos", e aponta reposicionamento de atores europeus ampliando participação em iniciativas do tipo.
O aporte do Banco da Amazônia faz parte de um compromisso anunciado na COP30, em Belém, de R$ 500 milhões para ancorar três fundos ESG até o final de 2026. "Ao ancorar esse fundo, damos um passo decisivo para conectar pequenos produtores a uma nova lógica de financiamento, que reconhece a floresta em pé como ativo econômico", afirma Luiz Lessa, presidente do banco.
"O Global Citizen NOW não é apenas mais uma conferência onde líderes se reúnem para discutir problemas. É um evento onde líderes vêm para anunciar soluções e agir", diz Hugh Evans, cofundador e CEO da organização. O Instituto Amazônia+21 é uma iniciativa da CNI e das Federações da Indústria dos nove estados da Amazônia Legal.
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