Fundo propõe R$ 500 milhões e exige mudança na Oncoclínicas
A Oncoclínicas, um dos maiores centros de tratamento do câncer na América Latina, está no centro de um embate societário que coloca de um lado uma grande oferta de capital e, do outro, a atual estrutura de comando da companhia.
O acionista MAK Capital Fund LP, que detém uma fatia de aproximadamente 6,3% da empresa, notificou a administração sobre o interesse em injetar cerca de R$ 500 milhões no caixa do grupo.
O aporte, porém, está estritamente atrelado à convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), com o objetivo de destituir os atuais membros do conselho de administração.
O preço da injeção de liquidez
Para o investidor, o movimento da MAK Capital sinaliza uma clara insatisfação com o rumo estratégico e a gestão financeira da Oncoclínicas.
O fundo exige que a nova assembleia delibere sobre a reestruturação completa do conselho, incluindo a definição do número de assentos, a eleição de novos nomes e a escolha de quem ocupará a presidência e vice-presidência.
O acionista busca garantias e detalhes sobre as manobras que a empresa está executando para proteger suas operações e, principalmente, para repactuar o vencimento de suas dívidas.
A Oncoclínicas encerrou o terceiro trimestre de 2025 com uma dívida líquida de R$ 4,09 bilhões.
Na prática, a MAK Capital quer condicionar sua entrada financeira a um novo modelo de governança que assegure maior controle sobre o endividamento do grupo.
O entrave com a Porto e a entrada da Fleury
A investida do fundo ocorre em um momento de mãos atadas para a Oncoclínicas em termos de negociações estratégicas.
Isso porque a empresa assinou um acordo que a obriga a negociar transações societárias exclusivamente com a Porto Seguro por um intervalo de 30 dias.
Esse período de blindagem cria um imbróglio jurídico, já que a proposta da MAK Capital envolve mudanças profundas na estrutura de capital e no controle administrativo, o que pode colidir com os termos de exclusividade.
Em março, o cenário ganhou, ainda, tração com a entrada do Grupo Fleury em um acordo que já estava sendo costurado com a Porto.
A Porto e a Fleury injetariam R$ 500 milhões para controlar a nova operação, e a Oncoclínicas conseguiria transferir até R$ 2,5 bilhões em dívidas e passivos para essa nova estrutura.
Próximos passos e avaliação de riscos
A resposta oficial da companhia agora depende de uma análise técnica rigorosa.
O Fato Relevante indicou que a diretoria e o conselho de administração estão avaliando se a solicitação da MAK Capital cumpre todos os requisitos legais e de regularidade.
Até o momento, o mercado aguarda a definição de como a Oncoclínicas irá equilibrar a oferta de R$ 500 milhões com seus compromissos prévios junto à Porto Seguro.
A administração reforçou o compromisso de manter o mercado atualizado sobre qualquer decisão que possa alterar o cronograma da assembleia ou os rumos da reestruturação financeira.
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