Fundo propõe R$ 500 milhões e exige mudança na Oncoclínicas

Por Ana Luiza Serrão 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fundo propõe R$ 500 milhões e exige mudança na Oncoclínicas

A Oncoclínicas, um dos maiores centros de tratamento do câncer na América Latina, está no centro de um embate societário que coloca de um lado uma grande oferta de capital e, do outro, a atual estrutura de comando da companhia.

O acionista MAK Capital Fund LP, que detém uma fatia de aproximadamente 6,3% da empresa, notificou a administração sobre o interesse em injetar cerca de R$ 500 milhões no caixa do grupo.

O aporte, porém, está estritamente atrelado à convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), com o objetivo de destituir os atuais membros do conselho de administração.

O preço da injeção de liquidez

Para o investidor, o movimento da MAK Capital sinaliza uma clara insatisfação com o rumo estratégico e a gestão financeira da Oncoclínicas.

O fundo exige que a nova assembleia delibere sobre a reestruturação completa do conselho, incluindo a definição do número de assentos, a eleição de novos nomes e a escolha de quem ocupará a presidência e vice-presidência.

O acionista busca garantias e detalhes sobre as manobras que a empresa está executando para proteger suas operações e, principalmente, para repactuar o vencimento de suas dívidas.

A Oncoclínicas encerrou o terceiro trimestre de 2025 com uma dívida líquida de R$ 4,09 bilhões.

Na prática, a MAK Capital quer condicionar sua entrada financeira a um novo modelo de governança que assegure maior controle sobre o endividamento do grupo.

O entrave com a Porto e a entrada da Fleury

A investida do fundo ocorre em um momento de mãos atadas para a Oncoclínicas em termos de negociações estratégicas.

Isso porque a empresa assinou um acordo que a obriga a negociar transações societárias exclusivamente com a Porto Seguro por um intervalo de 30 dias.

Esse período de blindagem cria um imbróglio jurídico, já que a proposta da MAK Capital envolve mudanças profundas na estrutura de capital e no controle administrativo, o que pode colidir com os termos de exclusividade.

Em março, o cenário ganhou, ainda, tração com a entrada do Grupo Fleury em um acordo que já estava sendo costurado com a Porto.

A Porto e a Fleury injetariam R$ 500 milhões para controlar a nova operação, e a Oncoclínicas conseguiria transferir até R$ 2,5 bilhões em dívidas e passivos para essa nova estrutura.

Próximos passos e avaliação de riscos

A resposta oficial da companhia agora depende de uma análise técnica rigorosa.

O Fato Relevante indicou que a diretoria e o conselho de administração estão avaliando se a solicitação da MAK Capital cumpre todos os requisitos legais e de regularidade.

Até o momento, o mercado aguarda a definição de como a Oncoclínicas irá equilibrar a oferta de R$ 500 milhões com seus compromissos prévios junto à Porto Seguro.

A administração reforçou o compromisso de manter o mercado atualizado sobre qualquer decisão que possa alterar o cronograma da assembleia ou os rumos da reestruturação financeira.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: