Fundos têm captação positiva em fevereiro com Renda Fixa e ETFs; multimercados lideram saídas

Por Ana Luiza Serrão 11 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fundos têm captação positiva em fevereiro com Renda Fixa e ETFs; multimercados lideram saídas

Se alguém ainda tinha dúvida de que o investidor brasileiro está buscando segurança, os números de fevereiro da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) ajudam a esclarecer o cenário.

A indústria de fundos fechou fevereiro com captação líquida positiva de R$ 48,5 bilhões.

No acumulado de 2026 — somando janeiro e fevereiro —, as entradas já chegam a R$ 134,3 bilhões.

Quem está puxando esse resultado? A renda fixa e os cada vez mais populares "fundos de índice" negociados em bolsa, os ETFs, que replicam o desempenho de carteiras.

O porto seguro da renda fixa

A renda fixa continua sendo a "queridinha" de quem não quer fortes emoções. Só em fevereiro, essa categoria abocanhou R$ 55,6 bilhões, valor bem próximo ao registrado em janeiro.

O grande destaque ficou para os fundos de renda fixa soberana de duração baixa, que investem 100% em títulos públicos federais. Sozinhos, eles atraíram R$ 18,1 bilhões.

Os ETFs, por sua vez, captaram R$ 5,8 bilhões no mês, superando com folga os R$ 3,3 bilhões de janeiro.

A maior parte desse dinheiro, cerca de R$ 5 bilhões, foi para ETFs de renda fixa.

Essa tendência vem ganhando força desde 2025, quando a categoria bateu recorde histórico de captação líquida, com R$ 23,1 bilhões.

Movimento condiz com cenário atual

O diretor da Anbima, Pedro Rudge, vê que esse movimento faz todo sentido diante do cenário atual. Com incertezas no Brasil e no exterior, a renda fixa acaba se tornando o destino natural de muitos investidores.

Sobre o avanço dos ETFs, Rudge afirma que a "escolha de parte dos investidores por acessar essa classe por meio de ETFs evidencia a evolução da indústria de fundos."

Além disso, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) também apareceram no azul, com captação líquida de R$ 1,1 bilhão.

Sufoco dos multimercados e ações

Do outro lado dos dados, o cenário foi menos animador. Os fundos multimercados lideraram as saídas, com resgates líquidos de R$ 7,9 bilhões.

Logo atrás vieram os fundos de ações, que registraram resgates de R$ 4,7 bilhões. Em ambos os casos, a maior retirada de recursos ocorreu nos fundos do tipo livre, que não seguem uma estratégia específica.

Outras categorias também fecharam fevereiro no vermelho. Os fundos de previdência tiveram saídas de R$ 1 bilhão, enquanto os fundos cambiais registraram resgates de R$ 204,1 milhões.

Apesar do mês negativo, os multimercados ainda mostram saldo positivo de R$ 11,6 bilhões no acumulado do ano. Já os fundos de ações seguem no vermelho, com captação líquida negativa de R$ 6,9 bilhões em 2026.

Quem colocou dinheiro no bolso?

Na renda fixa, quem liderou os ganhos foram os fundos de duração alta soberano, com retorno de 1,30% em fevereiro.

Entre os multimercados, os destaques ficaram com os fundos do tipo macro, que registraram rentabilidade de 1,39% no mês.

Já os fundos mútuos de privatização (FMP-FGTS), voltados para investimentos ligados a programas de privatização, entregaram 7,82% de retorno.

Logo atrás vieram os fundos mono ações, com rentabilidade de 5,53% no mês, reforçando o sentimento de cautela para os investidores no último mês.

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