Futebol brasileiro bate recorde de receitas; veja quem mais faturou na Série A
O futebol brasileiro vive uma mudança de patamar econômico sem precedentes. De acordo com o levantamento financeiro de 2025 realizado pela consultoria EY, o faturamento total dos clubes da Série A do Brasileirão atingiu a marca histórica de R$ 14,9 bilhões, o que representa um crescimento de 32% em relação ao ano anterior.
O grande destaque do relatório é o Flamengo. O clube já lidera o ranking de faturamento do futebol brasileiro há pelo menos cinco anos, considerando o intervalo completo analisado pelo levantamento, de 2021 a 2025.
Mas nesta edição o time carioca consolida sua soberania ao se tornar o primeiro clube do país a ultrapassar a marca de R$ 2 bilhões em receita total em um único exercício, com R$ 2,089 bilhões.
No período de cinco anos, o Flamengo gerou um total de R$ 7,056 bilhões em receitas totais, o que equivale a 19% de toda a arrecadação dos clubes analisados. O time também é líder no acumulado de receitas sem a venda de jogadores nos últimos cinco anos, somando R$ 5,715 bilhões.
A Elite do Bilhão
O faturamento histórico de quase R$ 15 bilhões revela, contudo, uma forte concentração de riqueza no topo da pirâmide. Apenas cinco clubes — Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense — detêm 49% de toda a receita gerada pelas agremiações analisadas.
O ranking das cinco maiores receitas de 2025 é composto por:
O Botafogo foi o protagonista da maior ascensão do período. O clube carioca registrou o maior crescimento absoluto e percentual, saltando de R$ 674 milhões em 2024 para R$ 1,4 bilhão em 2025, uma alta de 109%.
Outros clubes também apresentaram saltos robustos em suas receitas totais, como Fluminense (56%), Palmeiras (48%) e São Paulo (47%).
Ranking dos 20 clubes brasileiros que disputaram a Série A
No campo das receitas comerciais, o Cruzeiro surpreendeu com um aumento de 355%, enquanto o Sport se destacou ao mais que dobrar sua receita recorrente, atingindo R$ 252 milhões.
Receitas Recorrentes vs. Venda de Atletas
Um indicador crucial para a estabilidade dos clubes é a receita sem a transferência de jogadores. Nesse quesito, apenas Flamengo (R$ 1,571 bi) e Palmeiras (R$ 1,113 bi) conseguem manter faturamentos superiores a R$ 1 bilhão sem depender da venda de seus talentos.
Essa métrica altera significativamente o ranking. O Corinthians, por exemplo, que aparece em 6º no faturamento total, sobe para a 3ª posição (R$ 864 mi) quando as vendas de atletas são excluídas. Em contrapartida, o Botafogo cai para a 6ª colocação (R$ 664 mi) sob esse critério, demonstrando que sua receita de 2025 foi fortemente impulsionada por negociações de jogadores.
Direitos de Transmissão e Histórico Acumulado
Os Direitos de Transmissão e Premiações seguem como a principal fonte de renda, respondendo por 32% do bolo total. O Flamengo lidera isolado nesta categoria com R$ 612 milhões, valor turbinado por premiações e pela participação na Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
Ao analisar o histórico acumulado entre 2021 e 2025, o Flamengo reafirma sua dominância com 19% da receita total do período (R$ 7,056 bi), seguido pelo Palmeiras com 15% (R$ 5,733 bi) e pelo Corinthians com 12% (R$ 4,305 bi).
Desafios e quedas
Apesar do cenário de crescimento geral, alguns clubes enfrentaram retrações. O Grêmio registrou a maior redução na arrecadação com venda de jogadores, caindo para R$ 127 milhões. Já o Corinthians, embora mantenha uma receita elevada, viu suas receitas comerciais recuarem de R$ 297 milhões para R$ 278 milhões no último ano.
Na composição das receitas de 2025, houve aumento de 45% na dependência de vendas de atletas e de 43% em direitos de transmissão e premiações. Já a receita de matchday (bilheteria e sócios) cresceu apenas 6%, mostrando menor dinamismo dessa frente.
No recorte de público e bilheteria, o Flamengo também lidera, com renda média de R$ 4,3 milhões por jogo e recorde de 73 mil torcedores em uma partida contra o Ceará no Maracanã.
O levantamento aponta ainda que lubes o endividamento líquido dos cda Série A chegou a R$ 14,3 bilhões. Atlético-MG e Botafogo aparecem com as maiores dívidas, ambas acima de R$ 2 bilhões. Entre os casos extremos, o Atlético-MG tem a dívida mais crítica em relação à receita, enquanto Flamengo, Fortaleza e Bahia são os únicos com índice inferior a 1 vez a receita.
Para chegar nessas informações, o estudo da consultoria EY utilizou de dados públicos para analisar indicadores fundamentais como faturamento total, fontes de arrecadação e níveis de endividamento dos clubes. O relatório também define critérios técnicos para comparar tanto associações civis quanto Sociedades Anônimas do Futebol (SAF).
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