Galípolo reforça necessidade de 'cautela' na política de juros diante de incertezas sobre a guerra

Por Mateus Omena 6 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Galípolo reforça necessidade de 'cautela' na política de juros diante de incertezas sobre a guerra

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou nesta segunda-feira, 6, a necessidade de cautela na condução da política monetária. A declaração ocorre em meio a mudanças no cenário econômico e aumento das incertezas externas.

Em um evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Galípolo afirmou que tem recorrido com frequência ao termo cautela, associando-o à ideia de serenidade na tomada de decisões. Segundo o presidente do BC, essa abordagem permite uma leitura mais precisa do ambiente econômico e contribui para decisões consideradas mais seguras.

Na avaliação do presidente do BC, a postura cautelosa adotada desde 2020 contribuiu para lidar com sucessivos choques de oferta de forma mais controlada. Ele destacou que esse contexto resultou em crescimento econômico próximo ao potencial e estabilidade no câmbio. Ao mesmo tempo, apontou que o mercado de trabalho segue pressionado e que as expectativas de inflação apresentam desancoragem.

Na semana anterior, Galípolo já havia indicado uma condução mais conservadora da política de juros. O cenário foi alterado após a intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, com impacto direto sobre os preços do petróleo. A alta das commodities energéticas passou a pressionar os custos e a inflação, fator que não estava previsto anteriormente.

Em janeiro, o Banco Central havia indicado o início de um ciclo de cortes na Taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, a partir da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). Com o novo cenário, economistas e agentes do mercado passaram a revisar as expectativas para a trajetória dos juros.

Mesmo com as incertezas, o Copom decidiu iniciar o ciclo de flexibilização, com redução de 0,25 ponto percentual — abaixo da expectativa inicial de corte de 0,5 ponto. A mudança também afetou as projeções para o restante do ano.

Revisão de expectativas para juros e inflação

Antes da escalada do conflito, estimativas indicavam que a Selic poderia encerrar o ano em 12%, segundo o Boletim Focus. Na edição mais recente, divulgada nesta segunda-feira, a projeção passou para 12,5% ao final do ano.

As revisões também refletem a elevação nas estimativas para o IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antes do conflito, a expectativa era de alta de 3,91% em 2026, próxima da meta de 3,5%.

Na atualização mais recente do Focus, a projeção para o IPCA subiu para 4,36%, aproximando-se do limite superior da meta, que considera teto de 4,5% dentro do intervalo de tolerância.

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