Gaúcha de congelados muda de dono e mira R$ 1 bilhão em cinco anos
A Grano Alimentos, do Rio Grande do Sul, começa uma nova fase após a entrada da Cleam Capital em seu capital. A gestora adquiriu o controle da empresa, que faturou cerca de R$ 300 milhões no último ano e agora traça um plano ambicioso: chegar a R$ 1 bilhão em receita nos próximos cinco anos.
Líder no mercado de vegetais congelados, com mais de 40% de participação, a companhia aposta em expansão logística, ganho de eficiência e novas frentes de crescimento para sustentar esse salto — em um setor que ainda tem baixa penetração no país.
“Cada ponto percentual que o congelado ganha do in natura representa um avanço muito relevante”, afirma Fernando Giansante, CEO da Grano.
O plano de chegar ao R$ 1 bilhão não depende apenas de ganhar mercado dos concorrentes diretos, mas de capturar outros espaços dentro do setor.
Como a Grano quer crescer sob novo comando
Hoje, a maior parte do consumo de vegetais ainda é dominada por produtos frescos. Ao mesmo tempo, fatores como praticidade, redução de desperdício e busca por alimentação mais saudável começam a impulsionar os congelados. Cerca de 70% das vendas da Grano estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem pouco atendidos.
“Mais da metade da população brasileira ainda tem pouco acesso ao produto”, diz o CEO.
Para Giansante, o principal vetor de crescimento no curto prazo passa por logística. A estratégia envolve ampliar a presença nas regiões onde a empresa ainda não chega de forma competitiva. Para isso, o plano inclui investimentos em centros de distribuição e armazenamento, reduzindo custos e permitindo preços mais acessíveis.
Giansante diz que hoje mais de 30% do consumo de vegetais congelados no Brasil é atendido por produtos importados — um reflexo direto dessa dificuldade logística. A ideia é usar alternativas como cabotagem e novas estruturas regionais para tornar a operação mais eficiente.
“Nem nós, nem os concorrentes conseguimos atender bem essas regiões. Existe uma oportunidade clara de substituir importações com produção nacional”, afirma.
Fernando Giansante, CEO da Grano Alimentos: companhia aposta em escala e eficiência para sustentar meta ambiciosa (Gabriel Reis/Divulgação)
Quais serão as novas frentes da empresa
Além da expansão geográfica, a empresa também avalia novas frentes de crescimento. Uma delas é a entrada em categorias adjacentes, como frutas congeladas — um mercado que dialoga diretamente com o atual portfólio.
Outra é a exportação, ainda pouco explorada pela indústria brasileira. Hoje, países como o Equador exportam cerca de 70 mil toneladas de brócolis para os Estados Unidos — mais do que todo o consumo brasileiro do produto.
A companhia acredita que pode entrar nesse jogo, especialmente por já contar com certificações internacionais. O desafio está em ganhar competitividade de custo para disputar com grandes players globais, como China e países europeus.
Qual será o papel do novo controlador
A chegada da Cleam Capital adiciona um elemento central à estratégia: capital e capacidade de execução. Com perfil de investimento de longo prazo e histórico em escalar empresas, o novo grupo deve apoiar tanto o crescimento orgânico quanto possíveis movimentos de aquisição.
A transação envolveu a compra de cerca de 75% da operação, com possibilidade de aumento da participação conforme a decisão dos acionistas minoritários. Para o CEO, o novo momento marca uma virada importante:
“É um investidor que traz capital, tecnologia e uma visão de expansão. Isso acelera um plano que já existia, mas que agora ganha outra escala.”
Hoje, a Grano Alimentos atua em três frentes principais: varejo, food service e produção para terceiros (co-packer) — este último, seu principal DNA. Na prática, isso significa que, além de vender produtos com marca própria, a companhia também fabrica para grandes marcas do mercado, o que amplia sua capilaridade.
A manutenção das marcas atuais está garantida, mas a estratégia passa por fortalecer a presença nacional e diversificar o portfólio. Com cerca de 300 funcionários e produção concentrada na Serra Gaúcha, a empresa aposta que a combinação de escala, distribuição e novos investimentos pode destravar um crescimento que, até aqui, foi limitado mais pela logística do que pela demanda.
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