Gelo da Antártida revela como clima da Terra mudou por 1,2 milhão de anos

Por Vanessa Loiola 14 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Gelo da Antártida revela como clima da Terra mudou por 1,2 milhão de anos

Um núcleo de gelo extraído da Antártida revelou o registro contínuo mais antigo já obtido sobre o clima da Terra. As informações, divulgadas pela revista Nature, preservam dados atmosféricos de até 1,2 milhão de anos atrás e podem ajudar cientistas a entender como o planeta passou por mudanças climáticas extremas ao longo da história.

Os resultados foram apresentados pela colaboração Beyond EPICA durante a assembleia da União Europeia de Geociências, em Viena. O material foi obtido a partir de uma perfuração de 2,8 quilômetros de profundidade realizada no Pequeno Domo C, na Antártida.

Segundo os pesquisadores, o gelo preserva pequenas bolhas de ar antigo, permitindo reconstruir concentrações atmosféricas de dióxido de carbono e comparar essas informações com as temperaturas globais registradas ao longo de diferentes eras glaciais.

Quando as eras glaciais ficaram mais severas?

Os cientistas afirmam que o núcleo cobre um período conhecido como Transição do Pleistoceno Médio, fase em que os ciclos glaciais da Terra passaram por mudanças importantes.

Até cerca de 1 milhão de anos atrás, as eras glaciais aconteciam aproximadamente a cada 40 mil anos. Depois desse período, passaram a ocorrer em intervalos próximos de 100 mil anos e se tornaram mais longas, frias e intensas.

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente o que provocou essa transformação climática. Uma das principais hipóteses envolve alterações nas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, fator que pode ter contribuído para tornar os períodos glaciais mais severos.

Antártida virou arquivo do clima terrestre

Os cientistas explicam que os núcleos de gelo funcionam como arquivos naturais do clima terrestre. Além das bolhas de ar preservadas no interior do gelo, as amostras também registram concentrações de isótopos de oxigênio, utilizados como indicadores das temperaturas globais do passado.

Segundo Carlo Barbante, coordenador do projeto Beyond EPICA e pesquisador da Universidade Ca' Foscari de Veneza, os dados ajudam a entender como gases de efeito estufa e temperatura interagiram ao longo da história climática da Terra.

O passado pode explicar o clima do futuro

Especialistas afirmam que compreender as mudanças climáticas naturais ocorridas ao longo de milhões de anos pode ajudar no desenvolvimento de modelos mais precisos para prever transformações futuras no planeta.

O paleoclimatologista Edward Brook, da Universidade Estadual do Oregon, afirmou que obter um registro contínuo desse período era um objetivo perseguido pela comunidade científica havia mais de duas décadas.

Apesar disso, os autores acreditam que ainda existe uma grande quantidade de informações a ser analisada nas amostras retiradas da Antártida.

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