Genial/Quaest: Maioria quer terras raras brasileiras nas mãos de empresas nacionais
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 23% da quantidade global, atrás apenas da China, que detém 49% das reservas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
A recente valorização desses minérios alimentou o debate sobre a soberania das riquezas nacionais. Nas mãos de quem as terras raras devem estar?
Segundo um levantamento do Instituto Genial/Quaest, divulgado nesta sexta-feira, 22, para 64% dos brasileiros, as terras raras devem ser exploradas apenas por empresas nacionais.
A preferência vai além: 70% acreditam que o Brasil deveria processar e industrializar esses minerais em território nacional, mesmo que isso leve mais tempo ou custo.
Sobre o envolvimento do Estado, a pesquisa demonstra que 45% dos brasileiros acreditam que apenas o governo deve controlar a exploração de terras raras no Brasil. Outros 31% acreditam que deve ser o governo juntamente com empresas privadas.
A Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros acima dos 16 anos entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro dos resultados é de dois pontos percentuais, com índice de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral pelo código BR-03598/2026.
O que são terras raras?
Elementos terras raras (ETR) são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, como lantânio, cério, neodímio, disprósio, escândio e ítrio, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente raros na natureza, mas não costumam ser encontrados juntos ou em grandes quantidades no mesmo território, o que dificulta a exploração econômica.
A descoberta das terras raras em território nacional não é recente, sendo que o último grande mapeamento aconteceu em 2010, em Goiás. O debate intensificou-se nos últimos anos por causa de uma tendência global: a transição energética.
Alguns desses ETRs são essenciais para a fabricação de novas tecnologias, como carros elétricos e sistemas militares de defesa. Trata-se de uma nova fase do comércio e da indústria globais, dando poder estratégico a quem detém essas matérias-primas.
Terras raras no centro de acordos internacionais
O debate da política brasileira no momento é diplomático Quem deve estar envolvido e como desenvolver este novo potencial econômico.
Nesse sentido, 43% dos brasileiros acreditam que acordos de terras raras com os EUA fortalecem o país porque trazem investimentos em tecnologia, de acordo com a Genial/Quaest.
Por outro lado, 27% acreditam que o país se enfraquece, porque coloca minerais estratégicos nas mãos de outro país.
Durante a cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, na última segunda-feira, 18, o presidente Lula (PT) declarou que o Brasil precisa ampliar o conhecimento sobre suas reservas de terras raras e minerais críticos.
Ao abordar a disputa tecnológica e comercial entre potências globais, o presidente disse que espera ver uma aproximação do Brasil com os Estados Unidos em projetos ligados ao setor mineral. Lula também citou a China, líder neste mercado.
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