Gigante da arrecadação online, Vakinha supera 1,25 milhão de campanhas

Por Rafael Martini 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Gigante da arrecadação online, Vakinha supera 1,25 milhão de campanhas

O que começou como uma solução para organizar presentes de casamento se transformou em um dos maiores negócios de arrecadação digital do país. A Vakinha, plataforma gaúcha de financiamento coletivo, acaba de superar 1,25 milhão de campanhas e projeta alcançar R$ 1 bilhão em doações anuais até 2029.

Em 2006, o empreendedor gaúcho Luiz Felipe Gheller planejava viver fora do Brasil após a união com a noiva e, por isso, não queria receber presentes físicos. Percebeu então a oportunidade de criar uma forma mais descomplicada de arrecadar contribuições.

Três anos depois, a ideia saiu do papel. Em 2009, ao lado do sócio Fabrício Milesi, lançou a plataforma.Duas décadas depois, a Vakinha se consolidou como uma das principais do país no segmento de financiamento coletivo.

A força dessa rede de solidariedade ficou evidente em momentos recentes de crise. A plataforma ajudou a mobilizar cerca de R$ 9 milhões em doações para vítimas das chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira no fim de fevereiro de 2026, uma das maiores ações recentes registradas no site.

Cerca de dois anos antes, durante as enchentes no Rio Grande do Sul, a Vakinha já havia protagonizado outro marco relevante, ao transacionar mais de R$ 80 milhões destinados aos gaúchos atingidos pelas chuvas.

O modelo de negócio se baseia em um percentual sobre o dinheiro arrecadado. Para cada doação feita na plataforma, é cobrada uma tarifa de R$ 0,50, além de uma comissão de 6,4% sobre o valor total arrecadado. “Um dos grandes valores do nosso negócio é a capacidade de mobilizar a sociedade em prol de causas importantes. Nos orgulhamos de praticar tarifas que estão entre as mais baixas do mercado”, afirma o presidente da empresa, Luiz Felipe Gheller.

A confiabilidade das campanhas também se tornou um pilar central da operação. Diante do alto volume de vaquinhas criadas diariamente, a plataforma investiu em mecanismos de verificação que incluem exigência de CPF ou CNPJ, conta bancária vinculada, análises automatizadas e manuais de conteúdos suspeitos, canal de denúncias e possibilidade de solicitação de documentos comprobatórios. Em caso de irregularidade, a campanha pode ser suspensa e o saque dos valores bloqueado até a conclusão da apuração.

Mulheres transformam

Em 2020, no auge da pandemia, a empresa criou o Instituto Vakinha, organização filantrópica voltada a mobilizar e direcionar recursos para causas consideradas prioritárias. “Percebemos desde cedo o potencial de impacto social do nosso negócio, especialmente em momentos de crise. Por isso, decidimos criar um instituto para impulsionar causas em que acreditamos e estabelecer parcerias com grandes doadores. Queremos usar nossa reputação como uma plataforma segura de arrecadação para apoiar a sociedade quando ela mais precisa”, diz Gheller.

Uma das principais iniciativas do instituto é o Mulheres Transformam, programa de capacitação e fomento à autonomia voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade. Em 2026, o projeto chega à quarta edição com a meta de alcançar 400 mulheres, com ações que incluem capacitação presencial para empreender, mentoria, capital semente e um pacote de orientações sobre acesso a direitos, políticas públicas e enfrentamento à violência doméstica. O lançamento oficial acontece nesta terça-feira (31),  no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.

“A cada edição, o projeto evolui e ganha novos elementos. Em 2025, quando priorizamos mulheres afetadas pelas enchentes em Porto Alegre e região, incluímos suporte de alimentação, transporte e recreação para os filhos durante a capacitação presencial, além do capital semente. Este ano, também queremos nossas mulheres vivas e conscientes dos seus direitos”, afirma a diretora do instituto, Renata Fehlauer.

Ao longo de três edições, cerca de 430 mulheres já foram capacitadas. A proposta é oferecer uma jornada completa de formação empreendedora, desde a criação do negócio até conteúdos de gestão, organização financeira e governança, com foco em ampliar renda e autonomia econômica.

Além da capacitação, o instituto concederá R$ 1 mil em capital  para cada participante. O valor será liberado em parcelas, conforme a evolução dos projetos acompanhados por mentoras. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Instituto Regenera estão entre os parceiros da iniciativa, que pretende mobilizar cerca de R$ 1,5 milhão no ciclo de 2026.

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