Gigantes da navegação interrompem operações no Golfo
Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento do petróleo do Oriente Médio. A interrupção já acende o alerta no mercado para alta do barril, aumento do frete marítimo e pressão inflacionária.
O que é o Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma faixa marítima estreita entre Irã e Omã que conecta o Golfo ao Mar Arábico. Em condições normais, por ali passam cargas de grandes produtores da região, como Arábia Saudita, Iraque, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar.
Navios parados e mercado em alerta
Dados de navegação divulgados pela Reuters mostram que pelo menos 150 navios-tanque, entre petroleiros e embarcações de GNL, lançaram âncora no Golfo Pérsico, nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Segundo estimativas baseadas em dados da plataforma MarineTraffic, as embarcações se concentraram em mar aberto ao largo das costas de grandes produtores do Golfo, como Iraque e Arábia Saudita, além do Catar. Muitas estavam dentro das zonas econômicas exclusivas de países como Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
MSC põe navios em segurança
A maior empresa de navegação do mundo, a italo-suíça MSC, mandou que todos as suas embarcações no Golfo se coloquem em segurança e suspendeu os carregamentos com destino ao Oriente Médio.
"Como medida de precaução, a MSC instruiu todos os navios que operam atualmente na região do Golfo, e aqueles que se dirigem para essa zona, que vão para zonas de refúgio seguras até novo aviso", anunciou em comunicado.
"A MSC suspendeu todas as reservas de carga mundial com destino à região do Oriente Médio até nova ordem", acrescentou.
Maersk suspende operações na rota
A companhia de navegação dinamarquesa Maersk, uma das maiores do mundo, anunciou neste domingo, 1º, que suspenderá o trânsito de seus navios pelo Estreito de Ormuz "até novo aviso", diante da escalada do conflito.
"A segurança de nossas equipes, navios e mercadorias dos clientes é a nossa prioridade número um. Suspendemos todo o trânsito de navios pelo estreito de Ormuz até novo aviso", informou a empresa em comunicado.
"Consequentemente, os serviços aos portos do Golfo Arábico podem sofrer atrasos, mudanças de itinerário ou ajustes de horários", acrescentou.
A Maersk também suspendeu temporariamente o trânsito de contêineres pelo Canal de Suez, que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. "Até novo aviso, todos os trânsitos da rota ME11 (Oriente Médio-Índia rumo ao Mediterrâneo) e MECL (Oriente Médio-Índia rumo à Costa Leste dos Estados Unidos) serão reprogramados para passar em frente ao Cabo da Boa Esperança", informou a companhia.
Por que o fechamento afeta o preço
O bloqueio aumenta o risco de escassez temporária e de atrasos na entrega de cargas. Isso tende a aumentar o preço do barril e o custo do transporte marítimo, já que parte significativa da oferta mundial depende desse corredor.
Além disso, a região do Oriente Médio é um dos principais centros de produção de petróleo do mundo. Em 2024, forneceu 30% da oferta global do produto, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
O preço do barril do tipo Brent estava em US$ 72 na sexta-feira e acumula alta de 14,35% nos últimos três meses. Como o ataque ocorreu no sábado, os maiores efeitos deverão ser sentidos na segunda-feira.
A última grande alta do petróleo ocorreu no início da Guerra da Ucrânia, em 2022, quando o barril superou US$ 100. A Rússia é um grande produtor de petróleo, e passou a ser alvo de sanções, o que impediu as vendas para EUA e Europa.
"É possível que o petróleo suba no curtíssimo prazo por conta do choque geopolítico e do aumento da incerteza, mas, em um cenário de normalização política e reintegração maior do Irã ao mercado internacional, a oferta global poderia aumentar no segundo semestre, pressionando o preço de equilíbrio para baixo", diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, à EXAME.
*Com informações da AFP e da Reuters
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