Globo atinge 100% de energia renovável e antecipa meta climática em quatro anos
Maior grupo de mídia do Brasil, a Globo anunciou que todas as suas unidades operacionais funcionam agora com energia 100% proveniente de fontes renováveis.
A marca foi atingida antes do prazo: a meta prevista para 2030 foi cumprida com quatro anos de antecedência. A informação foi divulgada com exclusividade para a EXAME.
O resultado cobre as cinco regionais da empresa — Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife — e chega num momento em que cresce a pressão sobre indústrias de alta demanda energética para acelerarem sua transição climática, especialmente por conta dos conflitos que aumentam o preço do petróleo.
O setor audiovisual, historicamente pouco cobrado nesse sentido, não costuma aparecer nas primeiras linhas desse debate. A Globo aposta que isso está mudando. "A transição para uma operação baseada em energia renovável é um caminho necessário também no nosso setor, uma indústria intensiva em infraestrutura e consumo energético, que precisa assumir um papel ativo na redução de seus impactos", conta Maurício Gonzales, diretor do Centro de Serviços Compartilhados da Globo.
Transição energética
A trajetória até os 100% não foi da noite para o dia. Começou em 2007, quando a empresa migrou suas principais unidades para o Ambiente de Contratação Livre, o mercado no qual grandes consumidores negociam energia diretamente com fornecedores.
Ao longo dos anos seguintes, instalou usinas solares próprias e foi ampliando a fatia renovável no consumo total — já havia ultrapassado 90% antes de 2020.
O gargalo, resolvido entre 2022 e 2026, eram as unidades menores: para elas, a empresa desenvolveu soluções específicas que permitiram fechar a conta. Uma das mais recentes foi o projeto carport na sede de São Paulo, que posiciona placas solares em estacionamentos, protegendo os veículos do efeito do sol enquanto aproveita os raios para gerar energia limpa. Ao todo, 747 novas placas solares foram instaladas.
Globo implementou estacionamento sustentável nos estúdios em São Paulo (Globo/Divulgação)
Sustentabilidade e aterro zero
A conquista está inserida numa agenda ESG mais ampla, formalizada em 2020 e estruturada em seis pilares: economia circular, mudanças climáticas, biodiversidade, recursos naturais, cultura ambiental e conformidade legal.
Há sete anos a Globo se declara neutra em carbono, compensando com créditos as emissões que ainda não consegue eliminar, e tem como meta cortar 30% das emissões absolutas até 2030 em relação aos níveis de 2019 — considerando emissões diretas e indiretas, dos Escopos 1, 2 e 3. Para monitorar o desempenho, a empresa mantém uma plataforma de reporte que permite acompanhar os dados quase em tempo real.
"Antecipar, em quatro anos, uma de nossas principais metas mostra que é possível alinhar eficiência e responsabilidade ambiental", disse Maurício Gonzalez. "Na Globo, essa jornada foi construída com consistência e visão de longo prazo."
Outras frentes também avançaram. Nos Estúdios Globo, a empresa concluiu a implementação de novos sistemas ininterruptos de energia para reduzir o uso de geradores a diesel — uma mudança que deve evitar a emissão de 323 toneladas de CO2 por ano. Na frota, a companhia testa a eletrificação de veículos e a ampliação do uso de biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis. Há ainda programas de redução de viagens — que representam a maior fatia das emissões da empresa — e investimentos em produção remota de transmissões esportivas.
No campo de resíduos, a meta é chegar a Aterro Zero até 2030. A empresa já registrou seu menor índice histórico de destinação a aterros sanitários: 14,6%, segundo o Relatório ESG 2024. Entre as iniciativas que contribuíram para o resultado estão o uso de madeira bioplástica, cenários virtuais e a adoção do Guia de Produções Verdes — hoje presente em 100% das produções dos Estúdios Globo. O documento já serve de referência para produções de terceiros, inclusive no Canadá.
A localização dos Estúdios Globo adiciona uma camada extra à preocupação ambiental da empresa: o complexo é vizinho do Parque Estadual da Pedra Branca, unidade de conservação no Rio de Janeiro. Para proteger a fauna e a flora da região, a Globo mantém um catálogo informativo para os colaboradores sobre as espécies presentes no local e os procedimentos adequados diante do aparecimento de animais silvestres.
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