Goleada do Brasil sobre o Panamá é sinal de hexa na Copa do Mundo?
O placar foi sedutor. Seis gols, Maracanã cheio, jogadores saindo do banco pedindo passagem e Carlo Ancelotti deixando o estádio com mais opções do que dúvidas.
Mas a goleada do Brasil sobre o Panamá, no penúltimo amistoso antes da Copa do Mundo, não transforma automaticamente a Seleção em favorita absoluta ao hexa — e nem deveria.
O 6 a 2 teve sinais positivos, é claro, principalmente pela reação da equipe depois do intervalo, mas também trouxe alertas que não podem ser escondidos atrás do placar elástico ou da fragilidade do adversário.
O primeiro tempo foi um lembrete disso. Mesmo com titulares e jogando em casa, o Brasil encontrou dificuldade para controlar a partida diante de um Panamá tecnicamente limitado.
A Seleção terminou os 45 minutos iniciais com menos posse de bola que o rival: 48% contra 52%. Houve equilíbrio no número de finalizações, oito para cada lado, e a equipe de Ancelotti esteve longe de transmitir domínio.
O início até foi animador, com Vinicius Junior abrindo o placar cedo, mas o Panamá não demorou a esfriar o ambiente, empatando a partida após desvio em Matheus Cunha. O Brasil retomou a vantagem antes do intervalo, mas sem convencer plenamente.
Mudanças de Ancelotti mudaram o jogo
Ancelotti já havia avisado que faria alterações em massa, e a segunda etapa mostrou por que esse tipo de teste pode ser valioso às portas de uma Copa. A entrada de praticamente um novo time transformou o comportamento da Seleção.
Lucas Paquetá e Danilo Santos deram outra fluidez ao meio-campo. Na frente, Rayan, Igor Thiago e Endrick aumentaram a intensidade, atacaram mais espaço e aceleraram uma equipe que parecia travada no primeiro tempo.
Os números ajudam a explicar a mudança. A posse de bola subiu para 61%, o Brasil dobrou o número de chutes na direção do gol e trocou cerca de 100 passes a mais na comparação com a etapa inicial, segundo dados do 365Scores.
Mais importante do que os números, porém, foi a sensação de energia diferente. O time ficou mais vertical, mais agressivo e mais confortável no ataque. Não por acaso, os gols começaram a sair em sequência.
Vitória cria dúvida boa, não certeza de hexa
Talvez o principal saldo da noite nem tenha sido a goleada, mas a nova dor de cabeça de Ancelotti.
Antes do amistoso, o italiano não escondeu sua preferência por uma base titular. Só que a atuação do segundo tempo embaralhou algumas certezas. O próprio treinador admitiu isso depois da partida.
“Passa pela minha cabeça a possibilidade de mudar a equipe, a estratégia. O jogo da segunda parte coloca mais dúvidas. Isso para mim é bom, é importante ter dúvida positiva”, afirmou.
É um cenário saudável para qualquer seleção em ano de Copa. Mas uma boa meia hora contra o Panamá também não deve virar termômetro definitivo de candidatura ao título mundial.
Há diferenças evidentes entre entrar descansado diante de um adversário já desgastado em amistoso e enfrentar seleções do calibre de França, Argentina, Inglaterra ou Espanha em mata-mata.
O próximo teste do Brasil
A Seleção terá mais uma oportunidade de ajustar peças antes da estreia na Copa. O último amistoso acontece no sábado (6), contra o Egito, às 19h (de Brasília), no Huntington Bank Field, em Cleveland.
Calendário do Brasil na Copa de 2026
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: