Google alerta para riscos quânticos que podem colocar US$ 100 bilhões de Ethereum em risco
Um estudo publicado pela Google por meio de sua divisão de computação quântica acendeu um alerta sobre possíveis vulnerabilidades na Ethereum. O relatório indica que avanços em computadores quânticos podem explorar ao menos cinco pontos da rede, colocando em risco mais de US$ 100 bilhões em ativos.
O documento, com cerca de 57 páginas, analisa como carteiras, contratos inteligentes, sistemas de validação e camadas de escalabilidade podem ser afetados. Embora o tema tenha gerado debates mais amplos sobre o bitcoin, a análise aponta que a Ethereum possui características específicas que ampliam sua exposição.
Carteiras com exposição permanente
Um dos principais pontos destacados é a visibilidade das chaves públicas. Na Ethereum, essas chaves tornam-se permanentemente acessíveis após a primeira transação, o que pode facilitar ataques futuros.
Segundo o estudo, as mil maiores carteiras da rede concentram cerca de 20,5 milhões de unidades de ether e estariam potencialmente expostas. Em um cenário hipotético, um computador quântico capaz de quebrar uma chave em poucos minutos poderia comprometer essas contas em poucos dias.
Contratos inteligentes e chaves administrativas
Outro vetor de risco envolve contratos inteligentes, que operam aplicações financeiras dentro da rede. Muitos desses sistemas dependem de contas administrativas com poderes elevados, como pausar operações ou movimentar fundos.
O relatório identifica ao menos 70 contratos relevantes com esse tipo de acesso exposto. Além dos valores em ether, essas chaves controlam ativos maiores, como stablecoins e tokens utilizados como garantia em protocolos financeiros. A exploração de uma única chave poderia afetar múltiplos serviços interligados.
Redes de segunda camada vulneráveis
Grande parte das transações da Ethereum ocorre em redes de segunda camada, que processam operações fora da cadeia principal. Essas estruturas utilizam métodos criptográficos que, segundo o estudo, ainda não são resistentes a ataques quânticos.
A estimativa é de que cerca de 15 milhões de unidades de ether estejam expostas nessas redes e em pontes entre diferentes blockchains. Apenas algumas soluções com abordagens criptográficas alternativas apresentam maior resiliência nesse cenário.
Sistema de validação sob risco
O modelo de validação da Ethereum, baseado em participação, também aparece como um ponto sensível. Nesse sistema, participantes bloqueiam ativos para validar transações e manter a rede em funcionamento.
O estudo aponta que a quebra de assinaturas digitais poderia permitir a um invasor assumir o controle de parte significativa dos validadores. Com isso, haveria risco de interrupção da rede ou até alteração do histórico de transações, dependendo da escala do ataque.
Verificação de dados e risco estrutural
Outro ponto destacado envolve o mecanismo de verificação de dados utilizado para validar informações das redes de segunda camada. Esse sistema depende de uma configuração inicial baseada em um segredo que deveria ter sido descartado.
Segundo o relatório, um computador quântico poderia recuperar esse dado a partir de informações públicas. Uma vez obtido, ele permitiria a falsificação contínua de provas de verificação, afetando diversas aplicações conectadas à rede.
Apesar dos riscos apontados, a Ethereum Foundation já trabalha em soluções para tornar a rede resistente a ataques quânticos até o fim da década. Ainda assim, o estudo ressalta que a atualização da base da rede não resolve automaticamente vulnerabilidades existentes, exigindo ajustes individuais em contratos e aplicações já em operação.
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