Irã ataca instalações de energia no Golfo e promete vingança por Larijani no 19º dia de guerra

Por Mateus Omena 19 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Irã ataca instalações de energia no Golfo e promete vingança por Larijani no 19º dia de guerra

O Exército do Irã afirmou, nesta quarta-feira, 18, ampliou ataques contra a infraestrutura energética do Golfo após a ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra o campo de gás South Pars-North Dome.

Há relatos de incêndios em instalações no Catar e ataques ameaças aéreos na Arábia Saudita, após um alerta da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã).

O Ministério do Interior do Catar informou que equipes da Defesa Civil atuaram no combate a um incêndio na cidade industrial de Ras Laffan, considerada uma das principais estruturas de processamento de gás natural do país. Segundo o governo, o incidente ocorreu “após um ataque iraniano”, conforme publicação na rede social X.

Em comunicado separado, a empresa estatal QatarEnergy confirmou que a instalação foi atingida por mísseis, com registro de danos relevantes à infraestrutura.

A companhia informou que equipes de emergência foram acionadas imediatamente para conter as chamas. De acordo com a empresa, todos os funcionários foram localizados após o ataque, sem registro de vítimas.

O comando Khatam al-Anbiya declarou mais cedo que pretende responder à ofensiva e considerar ações contra estruturas de energia e combustível de países associados aos ataques. A informação foi divulgada pela televisão estatal iraniana.

Em um comunicado, o comando operacional informou que "atacará seriamente a origem da agressão e considerará atingir a infraestrutura de combustível, energia e gás". Analistas avaliam que o país mantém capacidade de ampliar operações contra ativos energéticos na região.

Segundo o site Axios, a ação contra o campo foi coordenada com aval do governo de Donald Trump, com base em declarações de autoridades israelenses e de um representante da defesa dos EUA sob anonimato. A mídia estatal iraniana também relatou danos a instalações petrolíferas e petroquímicas em Asaluyeh, no sul do país. Estados Unidos e Israel não apresentaram posicionamento oficial.

O governo iraniano acusa monarquias do Golfo de permitirem o uso de seus territórios e espaços aéreos por forças americanas. A televisão estatal divulgou uma lista de "alvos legítimos", incluindo estruturas energéticas na Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, afirmando que "serão atingidas nas próximas horas". O Iraque registrou interrupção na geração de energia após a suspensão do fornecimento de gás iraniano, indicando impactos regionais diretos.

A maior parte da produção do campo South Pars é destinada ao consumo interno do Irã. Interrupções nesse fornecimento tendem a pressionar a economia doméstica e o abastecimento energético, em meio à continuidade dos ataques, informou a Bloomberg. O conflito já soma 19 dias e envolve ações diretas contra infraestrutura estratégica.

O campo é compartilhado com o Catar, que reagiu à ofensiva. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari, afirmou que o ataque "é uma medida perigosa e irresponsável", em publicação na rede X.

Reações regionais

Os Emirados Árabes Unidos também se manifestaram. Em comunicado, o governo afirmou que "atacar instalações de energia ligadas ao campo de gás de South Pars, na República Islâmica do Irã (...) constitui uma escalada perigosa" e que "atacar infraestruturas energéticas representa uma ameaça direta à segurança energética global... Também acarreta sérias repercussões ambientais e expõe civis, a segurança marítima e instalações civis e industriais vitais a riscos diretos".

O alerta iraniano ocorre após episódios recentes de ataques a instalações energéticas na região. O país já atingiu estruturas nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, incluindo campos como Shah, Shaybah e Berri. As ações indicam capacidade de manter pressão sobre a produção de petróleo.

Efeitos no mercado de energia

Os efeitos já aparecem nos preços. O petróleo Brent registrou alta de 7,44% no after market, superando US$ 110 por barril, enquanto o gás natural europeu avançou 9,1%. Desde o início do conflito, os preços do petróleo acumulam alta próxima de 50%.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que aliados devem assumir maior responsabilidade pela segurança do Estreito de Ormuz.

Em publicação na rede social Truth Social, ele declarou que "Os aliados dos EUA precisam tomar as rédeas da situação, intensificar os esforços e ajudar a abrir o Estreito de Ormuz". O governo também suspendeu temporariamente uma legislação de transporte marítimo para reduzir custos logísticos de energia.

Apesar do cenário, o Irã mantém exportações próximas aos níveis anteriores ao conflito, com embarques a partir da Ilha de Kharg. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que "Precisamos elaborar novas regras para o Estreito de Ormuz e para a forma como os navios o atravessarão no futuro" e que "[As regras devem] garantir que a passagem segura pelo estreito ocorra sob condições específicas".

Vingança pela morte de Ali Larijani

Ali Larijani: chefe do Conselho de Segurança do Irã morreu após ataque de Israel e EUA (Harold Cunningham/Getty Images) (Harold Cunningham/Getty Images)

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou nesta quarta-feira uma mensagem escrita na qual manifesta condolências pela morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, após ataques aéreos atribuídos a Israel. No texto, o líder iraniano afirmou que os responsáveis pelo ataque “pagarão em breve” pela morte do aliado.

“É com profunda tristeza que recebi a dolorosa notícia do martírio de Ali Larijani”, diz a mensagem publicada na rede social X, ex-Twitter, e repercutida por veículos iranianos.

Na declaração, Mojtaba descreveu Larijani como um indivíduo "erudito, visionário, inteligente e comprometido", além de destacar sua atuação em áreas políticas, militares, de segurança, culturais e administrativas.

O líder também afirmou que "Os anti-islamistas devem saber que derramar esse sangue aos pés do sistema islâmico só o fortalece e, claro, todo sangue tem um preço que os assassinos dos mártires em breve terão que pagar".

Autoridades iranianas negaram informações de que o líder estaria na Rússia para tratamento médico após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel em Teerã. O embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, afirmou que "A notícia de que o líder supremo da Revolução foi transferido para a Rússia para tratamento médico é uma nova tática de guerra psicológica. O líder iraniano não tem motivos para fugir e se esconder em abrigos. Seu lugar é nas ruas com seu povo".

O paradeiro de Mojtaba Khamenei permanece indefinido, sem registros de aparições públicas desde sua nomeação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na segunda-feira que o líder iraniano pode estar morto, após o Pentágono ter informado anteriormente que ele havia sido "ferido" e possivelmente "desfigurado" durante os ataques que atingiram seu pai.

*Com informações das agências AFP e EFE.

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