Governo dos EUA diz estar pronto para lançar 'ofensiva solo' contra cartéis na América Latina
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira, 5, que o país está disposto a realizar uma ofensiva militar contra cartéis de drogas mesmo sem apoio internacional, caso considere necessário.
Em discurso direcionado a governos da América Latina, ele pediu que as autoridades da região ampliem o combate ao que chamou de “narcoterrorismo”.
"Os Estados Unidos estão preparados para abordar estas ameaças e ir sozinhos para a ofensiva, se necessário. No entanto, é nossa preferência e é a meta desta conferência que, no interesse da vizinhança, façamos tudo junto com vocês, com nossos vizinhos e aliados", declarou Hegseth durante evento realizado em Miami.
O secretário participou da abertura da conferência “Américas contra os cartéis”, promovida na sede do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), na Flórida. No encontro, ele voltou a defender que a chamada nova Doutrina Monroe — apelidada por integrantes do governo de “Donroe” e associada ao presidente Donald Trump — sustenta a possibilidade de ações militares contra organizações de narcotráfico na América Latina.
Durante a reunião, que contou com representantes das forças de segurança e militares de diversos países da região — com exceção de México, Colômbia e Brasil —, Hegseth afirmou que os governos precisam intensificar a resposta contra esses grupos criminosos e "partir para a ofensiva contra os narcoterroristas".
"Apenas começamos a trabalhar com vocês. Vocês devem fazer mais e nós devemos fazer mais para atacar os grupos narcoterroristas em todas as áreas. Desmantelaremos as redes de narcoterroristas neste hemisfério e negaremos o acesso aos adversários estatais que os apoiem", destacou.
Operação contra o narcotráfico nas Américas
O encontro ocorre poucos dias após a realização da primeira operação militar conjunta entre Estados Unidos e Equador voltada ao combate de organizações classificadas como “narcoterroristas” naquele país. A ação foi realizada após a visita do comandante do Southcom, Francis Donovan, ao território equatoriano nesta semana.
Além disso, desde setembro do ano passado, o governo Trump afirma ter conduzido ataques contra 44 embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico no Pacífico e no Caribe. As operações, realizadas no âmbito da missão chamada “Lança do Sul”, teriam resultado em ao menos 150 mortes.
"Somos seu parceiro principal para trabalhar, junto e através de suas nações, para alcançar objetivos compartilhados, mas quando for necessário, não hesitaremos em agir", alertou o comandante Donovan.
Ao justificar a intensificação dessas operações, Hegseth citou dados sobre o impacto das drogas nos Estados Unidos, afirmando que "mais de um milhão de americanos" morreram por overdose de fentanil, cocaína e outras substâncias durante o governo Joe Biden (2021-2025). Ele também declarou que o tráfico de pessoas teria aumentado de forma acelerada, dizendo que a atividade "explodiu" em 2.000%, alcançando um valor estimado de US$ 13 bilhões em 2022.
*Com informações da agência EFE.
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