Governo fez um atentado contra o emprego, diz associação sobre fim da taxa das blusinhas

Por André Martins 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Governo fez um atentado contra o emprego, diz associação sobre fim da taxa das blusinhas

O presidente da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), Edmundo Lima, não poupou críticas à revogação da "taxa das blusinhas" e classificou a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como "um atentado contra o emprego".

"Essa decisão é um atentado contra o emprego. O governo coloca em risco 18 milhões de postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, gerados pela indústria e pelo varejo no Brasil", afirmou Lima em entrevista à EXAME.

Nas vésperas da eleição, a gestão petista anunciou a isenção do imposto de importação para compras de até US$ 50 por meio de Medida Provisória (MP), que entra em vigor nesta quarta-feira, 13.

A partir de agora, o consumidor pagará apenas o ICMS estadual, que varia de 17% a 20%, dependendo do estado, e os sites estrangeiros como Shein e AliExpress estarão isentos da taxa de importação. Para compras acima de US$ 50, o imposto permanece em 60%.

“Essa medida é irracional e inconcebível. O governo cria uma disparidade enorme entre as plataformas internacionais e o varejo e a indústria nacional. Não se pode permitir que grandes multinacionais, que já têm uma carga tributária mais baixa e uma série de benefícios em seus países, sigam operando com menos impostos, enquanto as empresas brasileiras, que geram emprego e riqueza no país, são penalizadas com impostos altíssimos ao longo da cadeia produtiva”, afirmou o executivo.

O presidente da associação afirma que o correto seria o governo federal "zerar a carga tributária" das empresas nacionais. Nas contas da ABVTEX, o setor tem uma carga tributária de até 90% ao longo da cadeia produtiva.

"O mínimo que esperamos agora é que o governo também reduza a carga tributária para as empresas brasileiras. Não dá para zerar a carga para as plataformas estrangeiras e continuar com os impostos altíssimos para o varejo e a indústria nacionais", afirmou.

Segundo ele, a medida deveria ser acompanhada de uma compensação para as empresas brasileiras, para garantir a igualdade de condições para competir.

“A isonomia que tanto defendemos deve ser para todos, para as plataformas estrangeiras e para as empresas brasileiras”, disse Lima.

A revogação do imposto, segundo Lima, compromete não apenas a indústria, mas também o varejo nacional, que viu avanços nos últimos meses.

"Desde a criação da 'taxa das blusinhas', o setor de vestuário, por exemplo, cresceu 5,47% após anos de retração. A medida trouxe um alívio, garantindo um mínimo de igualdade tributária para competir com as plataformas estrangeiras", disse Lima.

Após a implementação do imposto, a arrecadação federal com a cobrança de compras internacionais subiu significativamente. Em 2025, o governo arrecadou 5 bilhões de reais com a medida, um crescimento expressivo em comparação aos 370 milhões de reais antes da criação da taxa.

Após a criação do imposto, o varejo de vestuário, por exemplo, registrou um crescimento de 5,47%, enquanto o Brasil viu uma recuperação significativa no mercado de trabalho, com a criação de cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos nos últimos meses.

Pedido de devolução da MP

Lima acredita que a revogação da medida foi motivada por um cálculo eleitoral, uma vez que a popularidade do governo ficou fragilizada devido à "taxa das blusinhas".

"Não há como negar que essa é uma decisão eleitoreira. A 'taxa das blusinhas' se tornou um alvo fácil de críticas, mas a revogação coloca em risco a competitividade das empresas brasileiras, especialmente as micro e pequenas", disse o presidente da associação.

O executivo afirma que a expectativa do setor é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, devolva a Medida Provisória, para que ela perca a validade.

"Nossa expectativa é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, devolva essa Medida Provisória. Ela é eleitoreira e não tem base para o desenvolvimento econômico do país", afirmou Lima.

O presidente da associação diz que espera bom senso dos parlamentares e que irá articular para que a "luta pela isonomia tributária continue".

"Vamos intensificar nossa mobilização junto ao Congresso para que os parlamentares compreendam a importância da medida e defendam os interesses da indústria e do varejo nacional", diz.

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