Governo pediu aos bancos propostas para enfrentar avanço no endividamento das famílias, diz Fazenda
O governo federal solicitou a representantes do sistema financeiro a apresentação de propostas e cenários para conter o avanço do endividamento das famílias, declarou o ministro da Fazenda, Dario Durigan nesta terça-feira, 31.
A medida ocorre em um cenário de níveis elevados de comprometimento da renda com dívidas e diante da atenção do Palácio do Planalto sobre o tema.
De acordo com Durigan, a equipe econômica permanece em fase inicial de estruturação de um plano e realiza consultas com bancos e entidades do setor antes de definir ações concretas. O processo ainda não tem medidas consolidadas, pois o governo prioriza a coleta de contribuições do mercado financeiro.
"Nós estamos trabalhando nisso, dialogando com os vários ministérios e com alguns setores do sistema financeiro. No momento oportuno, eu volto a falar disso, pois estamos em fase de elaboração do plano ainda", explicou o ministro da Fazenda.
O ministro informou que ocorreu uma reunião inicial com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com foco na análise do cenário atual. O encontro teve caráter diagnóstico, com levantamento sobre os principais tipos de dívida das famílias brasileiras.
"Foi uma primeira conversa, mais para ouvi-los. Pedi para que a Febraban trouxesse, não só a Febraban, como outros, para que nos trouxessem propostas e cenários. Começamos com um diagnóstico, foi um bom diagnóstico que eles trouxeram de onde está a dívida das pessoas hoje: no cartão de crédito, no cheque especial, a situação dos consignados".
Novo Desenrola?
O Ministério da Fazenda também iniciou discussões com instituições financeiras sobre um novo programa de renegociação de dívidas, para reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias. A proposta em análise difere do Desenrola e deve ser estruturada com outro formato e nomenclatura, mantendo a possibilidade de incentivos públicos para ampliar as condições oferecidas aos clientes.
Dados recentes indicam que o endividamento das famílias alcançou 49,7% da renda anual, enquanto o comprometimento mensal chegou a 29,3%. Na prática, isso representa que, a cada R$ 100 de renda mensal, aproximadamente R$ 29 são destinados ao pagamento de dívidas.
A formulação em estudo prevê um processo de renegociação mais direto entre clientes e bancos, com menor intermediação operacional em comparação ao modelo anterior. A proposta considera mecanismos que possam acelerar acordos e ampliar a adesão.
Questionado sobre uma possível retomada do Desenrola, Dario Durigan afirmou que a decisão ainda está em análise dentro da equipe econômica.
"A gente está avaliando esse tema. No momento oportuno, eu volto a falar com vocês assim que a gente fechar o desenho", afirmou em coletiva de imprensa.
*Com informações da Agência O Globo.
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