Grafeno em 1879? Thomas Edison pode ter criado o material sem saber

Por Vanessa Loiola 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Grafeno em 1879? Thomas Edison pode ter criado o material sem saber

Sem saber, Thomas Edison pode ter produzido um tipo de grafeno já em 1879, mais de um século antes de o material ser descrito teoricamente e isolado em laboratório. A hipótese foi levantada por pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, em um estudo publicado na revista ACS Nano.

A pesquisa sugere que o grafeno pode ter se formado acidentalmente nos filamentos de carbono usados nas primeiras lâmpadas elétricas, durante o aquecimento intenso gerado pelo funcionamento do equipamento. O grafeno é uma folha de carbono com apenas um átomo de espessura, conhecido por propriedades elétricas e mecânicas que o tornam promissor para aplicações tecnológicas.

O trabalho surgiu enquanto a equipe investigava formas mais baratas de fabricar grafeno. O estudante de pós-graduação Lucas Eddy, do laboratório do químico James Tour, decidiu testar se o processo histórico das lâmpadas poderia reproduzir condições semelhantes às usadas hoje em técnicas modernas de aquecimento rápido.

O experimento

Para simular o cenário do século XIX, os pesquisadores montaram lâmpadas artesanais com filamentos de carbono semelhantes aos originais. Um dos materiais associados às primeiras versões do dispositivo era o bambu japonês carbonizado, usado por Edison após testes com diferentes opções.

Segundo o estudo, as lâmpadas foram conectadas a uma fonte de corrente contínua de 110 volts, mesma tensão utilizada pelo inventor. O equipamento foi aceso por cerca de 20 segundos, reproduzindo um aquecimento rápido por efeito Joule, capaz de levar o carbono a temperaturas extremas em pouco tempo.

Após o procedimento, o filamento mudou de cor, passando de cinza opaco para um tom descrito como “prateado brilhante”. Para verificar se havia ocorrido uma transformação química, os cientistas analisaram o material por espectroscopia Raman, técnica a laser usada para identificar substâncias pela assinatura atômica.

A análise indicou a presença de grafeno turbostático, uma variante que pode se formar em condições de aquecimento extremo e repentino.

Grafeno no filamento

Mesmo com o resultado, os autores apontam que Edison não teria como reconhecer o material na época, já que o "material do futuro" ainda não existia como conceito científico. Além disso, a substância teria sido temporária: com o uso contínuo, o grafeno tende a se transformar em grafite, uma forma comum de carbono.

O estudo também destaca que, mesmo que Edison tivesse identificado o composto, as aplicações que hoje tornam o grafeno estratégico — sobretudo em tecnologia e eletrônica — ainda não faziam parte do contexto industrial do fim do século XIX.

Para os pesquisadores, o principal ponto do trabalho não é afirmar que Edison “descobriu” o grafeno, mas indicar que experimentos históricos podem ter gerado materiais incomuns sem que isso fosse percebido - por falta de instrumentos e conhecimento para interpretar esses resultados.

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