Gringos injetam mais de R$ 5 bilhões na bolsa brasileira em cinco dias
Os estrangeiros voltaram a mostrar força na bolsa brasileira, aportando R$ 5,5 bilhões em ações listadas na B3 nos cinco pregões até o dia 20 de fevereiro, quando o Ibovespa renovou suas máximas históricas. Com isso, o fluxo externo acumulado no segundo mês de 2026 ultrapassa R$ 10 bilhões e chega a um acumulado de R$ 36,6 bilhões no ano, de acordo com relatório do Itaú BBA.
O movimento ocorre em um momento de forte valorização do mercado doméstico. Até a última sexta-feira, 20, o Ibovespa já havia registrado 12 recordes nominais de fechamento em menos de dois meses, ao superar pela primeira vez os 190 mil pontos e fechar aos 190.534 pontos, alta de 1,06% no dia. Nesta semana, o Ibovespa também renovou por duas sessões consecutivas a máxima intradiária.
Enquanto os estrangeiros reforçaram compras, os investidores institucionais locais foram vendedores líquidos de R$ 2,7 bilhões na semana passada.
No campo dos fundos, os dados do banco mostram que os fundos de ações ativos tiveram saída de R$ 2,7 bilhões no mês e acumulam resgate de R$ 5,2 bilhões no ano.
Já os fundos multimercados (hedge funds) registraram saída de R$ 14,9 bilhões em fevereiro, mas ainda acumulam entrada líquida de R$ 6,0 bilhões em 2026.
Commodities puxam no curto prazo
O relatório aponta que as commodities superaram o desempenho do mercado nos últimos cinco dias. Aço e mineração, shoppings e agronegócio lideraram os ganhos no período, enquanto bens de capital, bancos e papel e celulose ficaram entre os piores desempenhos.
No recorte por grupos de ações, o acumulado de 12 meses mostra liderança dos setores ligados à economia doméstica e ao financeiro, com altas próximas de 60%, enquanto o bloco de commodities ficou mais atrás nesse horizonte.
No curto prazo, porém, há uma mudança. Em 30 dias, commodities e o próprio Ibovespa avançaram mais de 5%, enquanto o setor financeiro perdeu tração. Na última semana, o padrão se repetiu. As commodities subiram 3,2%, domésticas avançaram 0,9% e financeiras ficaram levemente no negativo (-0,3%).
O banco também destaca que serviços públicos, financeiro e materiais são, até o momento, os principais impulsionadores do índice no mês.
Small caps lideram nos últimos 30 dias
A análise por tamanho de empresa indica que, no acumulado de 12 meses, as large caps, empresas com alta capitalização na bolsa de valores consideradas companhias de porte grande, concentram os maiores ganhos, seguidas pelas small caps, pequenas empresas, enquanto as mid caps, de porte médio, têm desempenho inferior.
Nos últimos 30 dias, porém, as small caps passaram a liderar, superando as grandes empresas, enquanto as mid caps permaneceram no campo negativo. Na última semana, o avanço foi mais disseminado, com small, large e mid caps registrando ganhos próximos, ao redor de 1%.
O conjunto dos dados sugere uma rotação recente em direção a commodities e ações de maior liquidez — movimento que costuma acompanhar a entrada de capital estrangeiro. Ao mesmo tempo, o bom desempenho das small caps no curtíssimo prazo indica maior apetite a risco, ainda que o fluxo estrutural dos últimos 12 meses tenha favorecido principalmente empresas de maior porte.
Coreia lidera entre os emergentes
O relatório do Itaú BBA também amplia a lente para o cenário internacional e mostra que os mercados emergentes vêm superando os desenvolvidos em diferentes janelas de tempo.
Entre os emergentes, a Coreia lidera com alta superior a 150% em 12 meses. A bolsa do país é seguida por Colômbia, Peru e Taiwan, que também aparecem entre os destaques. O Brasil registra valorização superior a 50% em 12 meses e ganhos relevantes no ano, reforçado pela melhora recente do fluxo para a região.
Nos mercados desenvolvidos, o desempenho é mais moderado. O índice agregado de países desenvolvidos sobe cerca de 17% em 12 meses. Japão e Reino Unido acumulam altas superiores a 30% e 31%, respectivamente, enquanto nos Estados Unidos o desempenho é mais heterogêneo: o Nasdaq mostra valorização relevante em 12 meses, mas com fraqueza recente, e o S&P 500 apresenta ganhos mais moderados.
O contraste, segundo o banco, sugere uma rotação global em direção a mercados com maior beta e potencial de recuperação, em busca de valuations mais atrativos. Nesse contexto, o Brasil se insere em um movimento mais amplo de reprecificação dos emergentes.
Setor externo reforça tese de fluxo
Para analistas, a melhora do fluxo para o país também encontra respaldo nos dados do setor externo divulgados nesta terça-feira, 24.
Segundo o Banco Central, o déficit em transações correntes foi de US$ 8,4 bilhões em janeiro, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões registrado em janeiro de 2025. No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit soma US$ 67,6 bilhões, abaixo dos US$ 72,4 bilhões observados no mesmo período do ano anterior.
A balança comercial foi superavitária em US$ 3,5 bilhões no mês, ante superávit de US$ 1,4 bilhão um ano antes. As exportações totalizaram US$ 25,3 bilhões (-1,2%) e as importações, US$ 21,8 bilhões (-10%).
"Isso ocorre, em grande parte, por conta de um cenário global de diversificação em relação aos Estados Unidos, o que tem beneficiado diversos países emergentes — e o Brasil, em especial, tem sido bastante favorecido", afirma o economista Rafael Perez, da Suno Research.
Perez destaca que a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, 2° maior juro real do mundo, também amplia a atratividade dos ativos locais.
O economista também chama atenção para o volume de Investimento Direto no País (IDP), que chegou a quase US$ 80 bilhões nos últimos tempos, além do nível de reservas internacionais, na casa de US$ 260 bilhões, e de um superávit comercial ao redor de US$ 68 bilhões, que tende a crescer ao longo do ano.
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