Quem é Tatiana Sampaio, cientista da polilaminina exaltada por João Gomes
O cantor João Gomes transformou um show em plena Marquês de Sapucaí em tribuna para a ciência. Na noite deste sábado, 21, ao avistar Tatiana Sampaio na plateia de um camarote, o artista interrompeu a apresentação e fez questão de homenagear publicamente a pesquisadora, arrancando aplausos do público em meio à festa do Carnaval do Rio de Janeiro.
"Você é a maior celebridade que temos aqui hoje", celebrou o artista.
Apontada como um dos destaques da ciência brasileira, Tatiana lidera a equipe responsável pelo desenvolvimento da polilaminina — uma substância que pode ajudar pacientes com lesões na medula espinhal a recuperar total ou parcialmente os movimentos do corpo.
Quem é Tatiana Sampaio
Tatiana Coelho Sampaio é bióloga, professora associada e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Desde 1997, ela se dedica ao estudo da polilaminina, uma versão derivada da laminina — proteína produzida naturalmente pelo corpo humano — desenvolvida em laboratório.
Com formação sólida na própria UFRJ, Tatiana graduou-se em Ciências Biológicas em 1986, concluiu o mestrado em 1990 e o doutorado em 1992. Realizou ainda dois estágios de pós-doutorado no exterior, um em imunoquímica na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e outro sobre inibidores de angiogênese na Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha.
Com formação original em Bioquímica e Química de Proteínas, construiu carreira estudando proteínas da matriz extracelular — rede de moléculas que dá suporte estrutural às células e influencia sua organização e comunicação.
Desde os anos 2000, coordena o laboratório na UFRJ, onde orienta estudantes e lidera colaborações nacionais e internacionais. Também é sócia e consultora científica da Cellen, empresa de produção de células-tronco para uso veterinário.
A pesquisa com polilaminina
Ao longo de quase três décadas, Tatiana conseguiu produzir em laboratório a polilaminina, uma rede de proteínas que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida. Em estudos experimentais, a substância foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos.
Segundo os resultados divulgados, a polilaminina foi capaz de recriar conexões entre neurônios no cérebro e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis pacientes. Um deles, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sozinho.
No início deste ano, o trabalho avançou para uma nova etapa: a polilaminina se transformou em um medicamento 100% brasileiro, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de estudos clínicos.
Nessa fase inicial, cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação da substância até 48 horas após o trauma e serão acompanhadas por seis meses. O objetivo é avaliar a segurança do tratamento e verificar a ocorrência de eventuais reações adversas.
Caso não haja efeitos graves, o estudo avançará para as próximas etapas, que vão testar a eficácia do medicamento na recuperação dos movimentos.
Impacto e desafios
A relevância da descoberta já trouxe resultados concretos. Em dezembro de 2023, a pesquisa rendeu R$ 3 milhões em royalties à UFRJ, divididos entre os inventores, a universidade e o Instituto de Ciências Biomédicas — o maior valor já recebido pela instituição nesse formato, de acordo com informações da Agência Brasil.
Segundo a cientista, o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina após cortes orçamentários que atingiram a universidade.
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