'Guerra abre grande oportunidade no diesel', diz CEO da Petrobras
A escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o preço do petróleo a patamares acima de US$ 100 o barril, abriu uma "grande oportunidade" para a Petrobras ampliar sua presença no mercado brasileiro de diesel e acelerar projetos para atingir a autossuficiência do país no combustível. A avaliação foi feita nesta terça-feira, 12, pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026.
Segundo a executiva, o cenário geopolítico reforça a estratégia da companhia de ampliar o processamento de petróleo nas refinarias brasileiras e reduzir a dependência externa de diesel.
"Quando a gente olha pro resultado dessa guerra, a gente diz assim: ‘Opa, temos aqui uma oportunidade grande'", afirmou Magda. Hoje, o plano de negócios da estatal prevê atender 85% da demanda nacional de diesel até 2030, mas, segundo a presidente da estatal, a empresa já avalia projetos capazes de superar essa marca.
"Está nas nossas mãos projeto, análise de projetos que terão a capacidade não apenas de produzir 85% da demanda de diesel brasileira até 2030, mas sim superar essas marcas", disse. "Muito provavelmente seremos capazes de entregar um parque de refino capaz de fornecer 100% da demanda brasileira de diesel".
Impacto positivo da escalada do petróleo vai aparecer no 2° tri, diz Petrobras
A fala ocorre em um momento em que o mercado internacional de petróleo vive forte volatilidade. Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, os contratos do Brent e do WTI acumulam valorização superior a 40%, impulsionados pelos riscos geopolíticos no Oriente Médio.
Apesar da disparada do petróleo, os efeitos ainda não apareceram integralmente no balanço da Petrobras do primeiro trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões entre janeiro e março, queda de 7,2% na comparação anual, enquanto a receita avançou apenas 0,4%, para R$ 123,7 bilhões, mesmo com o barril mais caro.
Durante a apresentação dos resultados, o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da companhia, Fernando Melgarejo, explicou que existe uma defasagem natural entre a alta do petróleo e o reconhecimento da receita das exportações.
"O aumento do Brent não está refletido no resultado do primeiro trimestre, porque a escalada de preços começou em março e as exportações reconhecidas nesse mês são, em sua maioria, precificadas em fevereiro", afirmou o executivo. Segundo Melgarejo, grande parte do petróleo vendido no período ainda havia sido negociada antes da disparada das cotações internacionais.
Com isso, o impacto positivo do petróleo mais caro deve aparecer apenas no segundo trimestre de 2026. Melgarejo também destacou que o recorde de produção registrado em abril tende a beneficiar os próximos resultados, já que os estoques atuais serão comercializados em um ambiente de preços mais elevados.
Ao fim de março, a Petrobras ainda tinha cerca de 81 mil barris por dia em trânsito para os mercados consumidores, principalmente na Ásia — principal destino das exportações brasileiras. Nesse mercado, o preço final da carga costuma ser calculado com base na cotação do mês anterior à chegada do petróleo ao destino.
Enquanto a área de Exploração e Produção sentiu a defasagem das exportações — com queda de 4,7% na receita do segmento —, o Refino, Transporte e Comercialização foi o principal destaque do trimestre. O segmento registrou receita de R$ 117,2 bilhões e EBITDA de R$ 20,2 bilhões, mais de três vezes acima do registrado um ano antes.
Estatal evita repasse ao consumidor
Na avaliação de Magda Chambriard, a estratégia de ampliar o processamento doméstico permite à Petrobras aproveitar o cenário internacional sem repassar integralmente a volatilidade ao consumidor brasileiro. "Nós seguimos monitorando o cenário internacional, os impactos da volatilidade sobre esse mercado de petróleo e gás e a nossa estratégia comercial persiste a mesma", disse.
A executiva também ressaltou a parceria com o governo federal para evitar que a alta internacional chegue de forma abrupta ao mercado interno. "Como nós não transferimos ao consumidor brasileiro as mudanças abruptas de preço e contamos com o suporte do governo federal em termos de subvenção para esses produtos, temos visto essa parceria com excelentes olhos", afirmou.
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