Nvidia zerou participação no mercado chinês de aceleradores de IA, diz CEO

Por Maria Eduarda Cury 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nvidia zerou participação no mercado chinês de aceleradores de IA, diz CEO

A Nvidia perdeu toda a sua fatia no mercado chinês de aceleradores de inteligência artificial. A afirmação é do próprio CEO da companhia, Jensen Huang, que admitiu em entrevista ao Special Competitive Studies Project que a participação da empresa nesse segmento chegou a zero. A mudança acontece apenas dois anos após a empresa ter conseguido uma participação de 66% no mesmo mercado; em janeiro deste ano, a queda para 8% já havia sido apontada por analistas como uma possibilidade para os próximos anos.

Na prática, segundo o próprio Huang, o colapso foi ainda mais rápido, mas ele ressalta que os baixos números se referem apenas às vendas diretas da Nvidia a clientes chineses. Dois fatores combinados explicam o fenômeno: as restrições de exportação impostas pelo governo dos EUA, que bloquearam o acesso da China aos chips mais avançados da Nvidia, e a ascensão acelerada de fabricantes locais, que agora focam em suprir até 80% da demanda interna da região por hardware de IA.

Huang critica os controles de exportação

O CEO da Nvidia não poupou críticas à política americana de restrições tecnológicas. Para ele, abrir mão de um mercado do tamanho da China é estrategicamente equivocado e já está produzindo o efeito contrário ao desejado. "Conceder um mercado inteiro do tamanho da China provavelmente não faz muito sentido estratégico. Acho que isso já se mostrou um tiro pela culatra", disse Huang. "Talvez fizesse sentido na época, mas a política precisa ser dinâmica e precisa acompanhar os tempos."

Na visão do executivo, a presença de empresas americanas de chips na China seria benéfica para garantir que o ecossistema tecnológico dos EUA mantenha influência global. Ao se retirar desse mercado, os Estados Unidos acabam acelerando a corrida chinesa pela autossuficiência em semicondutores e IA.

O risco do isolacionismo tecnológico

Para Huang, decisões pautadas por fatores como medo acabarão freando a adoção global da IA justamente nos países que mais deveriam liderá-la. Enquanto os EUA debatem restrições, a China e outras regiões tratam a IA como ferramenta econômica estratégica e avançam sem hesitar. A liderança americana no setor, na avaliação do CEO, só conseguirá prosperar quando conquistar a confiança do mercado a nível global.

"Mas, das cinco camadas do ecossistema de IA, há uma em particular considerada crítica demais — porque nas demais, a China consegue avançar. Eles têm energia mais barata, talentos extraordinários, um número impressionante de especialistas em ciências e matemática", destacou o executivo ao comparar o crescimento do país asiático com o dos EUA.

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